quarta-feira, 14 de junho de 2006




Atravesso a rua pelo ar, em pensamento e assusta-me já ter chegado aqui. Como atravessei tantas ruas sem me dar conta? Lembro-me apenas de um olhar questionando-me na Afonso Pena e não sei o sentido da pergunta. Sou tão estranha assim? Estranho para mim é uma existência barulhenta. Apesar deste corpo que me belisca todos os dias. E há mesmo dias que preferia não ser, mas já não há esta possibilidade, então talvez por isso queira tanto derreter-me em leituras. Uma cadeira range no andar de baixo e me irrita profundamente, me irrita profundamente ser quebrada quando flutuo em ondas. Há dias uma náusea me entristece e sei que preciso parir este sentimento. Oscilo entre linhas tão contrárias que às vezes temo. Às vezes o medo da morte me assusta, não pela sua existência, mas pela minha não-existência. A morte é mais real, hoje. É preciso ser fundamental, creio, mas não sei mesmo o que é ser fundamento de qualquer coisa, então não há muita saída. Deixamos de ser fundamentais quando deus morre, para sermos uma florzinha que curte um banho de sol. E há mais responsabilidade agora, porque a solidão é cruel, mas deliciosa. Esta náusea existencial, ela sim é fundamental. Eu não. E onde está a responsabilidade? De qual ordem ela provém? Por que esta dor por toda dor que há no mundo? Não basta explodir com isso em mim? Ser, simplesmente um fluxo atemporal e imemorial... Aderir ao ‘movimento concepcionista’, talvez (risos)...


Nenhum comentário: