Não é tanto o espaço o culpado, o turbilhão, a multidão, este amontoado de sussurros e pedras e faróis, mas este tempo que não me enquadro. É noite e agora compreendo mais a feroz efervescência que pulsa do silêncio, da abstração, da solidão. A noite tornou-se um abrigo amigo, sempre piscando possibilidades múltiplas de ser mais eu, de deixar de ser eu, de desconstruir o eu, de humanizar a existência e ser algo melhor que isso. Nem sei mesmo qual a distância cruel e se é mesmo possível calcular com régua e metros e kilômetros ou somente pegando um atalho, o caminho da minhoca, para chegar ao que não-sou no espaço-tempo urbano, ao que sou para além do enquadramento social, possibilidade infinita que me desintegra, afunda, mas que re-funda, menos material e estática - ativação inovadora sobre a realidade.
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