sábado, 9 de junho de 2007



Resíduos.

De tudo, talvez, pouco tenha ficado,
um pouco de medo. Um pouco de restos
de gritos. Do amor
restaram poucas pétalas.

Restou um certo sombreado de sol
que entra pela persiana.
Da boca que se abre
pouco se retém,
quase quase não se vê palavra.

Alguma ínfima poeira
se vê nas coisas pelos cantos,
o sapato ainda entocado com lama,
a flor murchou

ainda talvez o caule
hospede alguma bactéria
e sobraram alguns livros
abertos na estante
insinuando restos de poesia.

Caço, contudo, pelos pratos, restos
sobra, sempre sobra farelo
e talvez seja possível fazer uma última refeição.

Das linhas busco redescobrir montanhas,
espero da língua
mais que silêncio
e pode ser que haja no copo um resto ínfimo de álcool.

Ficou um pouco ainda
um pouco ainda de pesar
pela fotografia.
A música tocou.
Sobrado, haveria, um resto de mim?

No ônibus poema lembra
que a cidade abriga mazelas
- posso ainda esbarrar pelos teus pés.



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