um calor que não vinha do sol, era da pele, de dentro, do pé queimando dentro da sapatilha, agonia o suor ir-lhe tomando o pescoço, sente uma gota descer pelo seio, faz um caminho torto e vai se abrigar dentro do umbigo, é preciso ligar o ventilador, deita de frente, toma o ar na cara, as mãos percorrem o corpo para conter a umidade, um alívio aquela hélice fazendo vento para si, corre à cozinha, pega uma vasilha de gelo, traz para frente do ventilador, um vai para a boca, mastiga-o como quem tritura pedras, outro pega e vai pousar atrás na nuca, dali para a frente no pescoço, sobe pela bochecha até a testa, desce de volta pelo outro lado, leva-o até a gola da camisa, ela atrapalha, volta com o gelo para o copo, tira a camisa, tira o short, tira o sutiã, fica de calcinha, o gelo novamente em sua mão livre para refrescar-lhe.
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