A realidade é quase sempre uma seqüência de pontos tão rígidos que sequer dimensionamos e vivenciamos adequadamente o movimento entre eles. A realidade é enganadora pela estaticidade com a qual aparece. O mundo real, material, objetivo é falso (não por ser irreal, mas por iludir ser exclusivamente o real.) E como pode o mundo material abarcar toda a realidade que está para além dele mesmo? E como se pode conceber a existência sem qualquer concatenação com a fluidez do imaterial que há em nós? Insistimos em querer ver e manter e reter o mundo como um plano estático. Ficamos presos a conexões totalmente unidimensionais. E num segundo momento, ao nos depararmos com a infinidade de planos presentes, parece-nos verdadeiramente trágico que tenhamos vivenciado um grau de realidade anteriormente tão pobre.
A vida se abre em formas e dimensões infinitas e é preciso não se assustar com ela, mas com a estabilidade de morte que sempre buscamos. Vontade de reter... Por que se prender a um ponto da rede? Por que buscar a ilusão cômoda do estável e imutável? A vontade de reter a vida e desvendá-la inteira? De entupi-la de objetividade?
É difícil nos libertarmos do peso aparente de verdade com que um ponto de conectividade nos lança. É preciso se lembrar da infinidade de pontos invisíveis e reafirmar a cada instante a ilusão do ponto estático. Não há certeza. É só fluxo.
E enquanto isso, num canto da sala, uma aranha bordadeira...
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