Da Praça da Liberdade à Praça Sete... De cara deparar-me com profetas esperneantes com bíblias quase engolidas ante o delírio da profecia, filas de aposentados nas portas dos bancos, pedintes com perdas estendidas nas calçadas, engraxates, artistas de rua fazendo-nos rir... gente, gente, gente, gente... multidão de anônimos, assim como eu.
De onde estou, é pular do 21º andar e ser fincada na ponta do obelisco! Vejo a Serra do Curral, a favela do Palmital, formigas no caos do trânsito, buzinas enlouquecedoras num constante pampampam de desmiolar o cérebro, prédios e, faça-se justiça, também um pouco de céu e de nuvens para aliviar a alma...
No final da tarde já não é mais possível ver diretamente o pôr do sol como era na Praça da Liberdade. Hoje, contudo, percebi uma vermelhidão sob a vidraça das dezenas de prédios que sobem a Avenida Afonso Pena. O sol se punha atrás do prédio e eu assistia de forma refletida nas vidraças. O bom de uma experiência é ser capaz de vivenciá-la posteriormente apenas por intuição e senti-la vigorosamente! Do caos urbano, a visão subentendida do horizonte solar...
quarta-feira, 8 de março de 2006
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