"às vezes irrita não ser qualquer coisa que não ela mesma, por ainda ser a mesma, por já não ter se tornado outra. seu maior desafio é deixar de ser Eu a cada dia. quer chegar ao fim tendo sido centenas, milhares. quer passar pelo mundo tendo percorrido o alfabeto inteiro de possibilidades. quer ter sido inteiramente múltipla, diversa, várias. e a irritação que arrepia é própria do seu cansaço de si. está na hora de além. estranho é poder ir se tornando diversa mantendo uma aparente unidade que possibilita ser reconhecida pelos outros. o Eu, no entanto, não fosse a imagem refletida no espelho e uma memória histórica que a integra, já não se reconheceria. quer aprofundar a queda. percorrer os limites até chegar do outro lado da linha enquanto não chega o momento da ‘perda total da percepção do inteligível’. o incomensurável disso tudo é o susto de ter sido capaz de romper e depois do susto ainda manter a percepção suave, doce, quase melosa de que a mudança não a desintegra, ao contrário, a mudança é o Eu. mas vai aos poucos, porque quer perceber-se transformar. quer reflexão e conhecimento no ato pensado de tornar-se.
sábado, 3 de dezembro de 2005
"às vezes irrita não ser qualquer coisa que não ela mesma, por ainda ser a mesma, por já não ter se tornado outra. seu maior desafio é deixar de ser Eu a cada dia. quer chegar ao fim tendo sido centenas, milhares. quer passar pelo mundo tendo percorrido o alfabeto inteiro de possibilidades. quer ter sido inteiramente múltipla, diversa, várias. e a irritação que arrepia é própria do seu cansaço de si. está na hora de além. estranho é poder ir se tornando diversa mantendo uma aparente unidade que possibilita ser reconhecida pelos outros. o Eu, no entanto, não fosse a imagem refletida no espelho e uma memória histórica que a integra, já não se reconheceria. quer aprofundar a queda. percorrer os limites até chegar do outro lado da linha enquanto não chega o momento da ‘perda total da percepção do inteligível’. o incomensurável disso tudo é o susto de ter sido capaz de romper e depois do susto ainda manter a percepção suave, doce, quase melosa de que a mudança não a desintegra, ao contrário, a mudança é o Eu. mas vai aos poucos, porque quer perceber-se transformar. quer reflexão e conhecimento no ato pensado de tornar-se.
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