terça-feira, 13 de setembro de 2005



Ontem, ao chegar à UFMG no final da tarde, acabei me perdendo ao olhar para o alto. A aula ia no céu! Parei... Minutos estáticos, mergulhados em prata. Fui para o fundo do prédio e, sentada num banquinho ficamos ali, eu e a lua.
Lembrei-me de uma viagem que fiz ao Pará. O inusitado é o que de melhor pode existir na existência! Em um acontecimento que clamou a irrealidade, defrontei-me com o Décio Pignatari andando pelo Forte de Belém, em frente ao Rio Amazonas, aquele esplendor de água e céu. Cássio seguiu em sua direção, eufórico, a perguntar:
“_ O que pensa um poeta ao contemplar tamanho espetáculo?”
“_ O poeta olha maravilhado a paisagem e espera que com o mesmo olhar seja percebido por ela. Em Belém agente não olha. Tem visão”.
Assim era eu com a lua.

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