sexta-feira, 7 de julho de 2006



O silêncio assusta, mas outro dia me disseram que não há silêncio. “Pense nisso, não há silêncio”. Penso nisso desde então. Há silêncio ou sempre este turbilhão? O silêncio do outro, sim, o meu quase nunca não. Quando o há, tão raro, quase uma gota de milésimo de segundo. Um momento de desprendimento, um momento. E no seguinte o som. A mente quase sempre insana, querendo construir caminhos lógicos onde o caos predominantemente prevalece. E eu sempre com a mesma mania de escrever o mesmo mudando palavras e ordens. E o mesmo prevalece quando se mudam palavras e ordens? Quase sempre não, mas quase sempre é quase sempre quase nunca. E você tão calado que me assusta. Sempre escapando, evitando deixar sinais, querendo fazer-se presente unicamente pela ausência seca, que de tão silenciosa, gritante. Não, não há silêncio. Você sempre presente, com a sua sensibilidade afetada por um mundo que não te cabe. Demorei para apreender sua dor, mas ela chegou em mim. Não veio de você. Passou por você e seguiu seu rumo, atingindo-me tão depois... e agora, na ausência a sua presença se faz por este sentimento de completo alheamento com o mundo. Ou não. Nenhum alheamento, ao contrário, o mundo te afetando de forma tão visceral que mortal. Mas a morte só virá depois. E se a morte é certa, o depois nem tanto. Haverá morte? Sim. Depois? Nem tanto. Um pouquinho, talvez. E o que fazer com o resto do infinito que não me cabe? E com este grito? Não há silêncio, pense nisso. Não há silêncio, só grito.


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