sábado, 27 de fevereiro de 2010
meta physis
As coisas que existem parecem
ser
aquilo que contém mais, nous
e não o composto que firma a unidade
ou cada um dos elementos que compõem o todo - infinitu
assim, deus é Logos,
logo existe
- e sendo ele nous,
é apenas palavra
assim como Orgia era,
para os órficos, sacramentum.
Todo raciocínio
exato
compreende objetos ideais, anima
em contraponto a objetos sensíveis, matéria
(as almas cheiram mal);
e todo ser, dasein,
por ser coisa,
por ser todo,
é, por o ser em maior parte, pathos
e todo pathos, enquanto não-lugar,
é utopia ou a afirmação de um ideal
no tempo-presente
e não a negação do tempo-presente
perdido num ideal.
e esta preguicinha boa de fim de sábado...
mas pra severinim, enquanto isso,
não há sabat e meta
é lavrar sua terra - physis,
sozinho e só.
(mas terra lavrada é poesia)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Cabeça de Boi e o seu carnaval-avesso
há uma montanha com pasto, galos e maritacas e isso impede o pensamento de brotar. o imaginário deserta qualquer invenção, desagrega as cores e os sons. não há forma a compor quando um caminho de santiago rasga o olhar e alumia a madrugada. uma estrela se move no céu, talvez esteja morta, vagando na eternidade, como estamos de cá para ela. a estrela-senhora, milenar, nos fita do seu deserto particular, da energia que ainda pulsa deste seu minúsculo e último suspiro de luz, de sua total filosofia. no acampamento, enquanto a constelação silencia, um casal em desavença troca xingamentos, repletos de desejo e sem ter como domá-lo. se acusam. se atropelam. cortaram o tronco da oliveira, rasgaram o curso da nascente. tormenta. o amor nem sempre sabe se declarar. a noite inteira até o galo cantar - Adeus, vou me embora dormir na praça, não posso dormir nesta barraca com o seu corpo pulsando ali fora, no rio, debaixo do bambuzal. não consigo dormir ao saber de você aqui,. tudo está como ontem, como se não houvesse anteontem. dez quilômetros de terra de sol até o distrito no horizonte firmar. calor de morrer, de fritar os miolos, fome e sede. quando o mundo construiu esta vila, esta praça, este buteco de adobe, quando ainda era de carvão que se ganhava aqui o pão, e os minino não tinham escola não, talvez tenha inventado junto, ali, este dia de eu estar aqui. mesmo cantando a vida inteira, vontade de cantar mais, a saudade e todo o desencontro. - E pra quê ter pés se não pra caminhar? põe as pernas pro ar. e chega lá, aonde eu fui e é também em qualquer lugar aonde você possa estar, aonde o poente chega lento no pé alto da serra, e uma brisa já fresca inrompe a trilha e acaricia a vila. seu agostinho arranha um choro na viola sentado num tamborete. o desejo não pára neste desmantelo de tarde. é o modo contínuo que a vida inventou de brotar e morrer. todos os dias, as idas e voltas. eu sei que é fevereiro e tem gente com medo das águas de março, das tempestades, dos fins dos tempos, das ilusões da mudernagem. tarde de cinzas. quando o carnaval passar, eu quero estar lá, sol, fá. 7 léguas? porteiras a abrir pro cavalo passar. você cavalga, ele trota, ele galopa, e um chapéu de palha faz sombra no percurso e percorre a estrada, rasteiro, feito uma jibóia que engoliu um elefante. o sol torna monossilábico o andarilho. cada palavra dita é água do corpo gasta. silêncio, que é dia de seca. há uma cruz no centro da praça, a conformar a crença, a registrar o cristo do sertão das gerais. sertão de verde vivo e caminhão pipa. de rio vasto e gado magro. os carros chegam nos feriados. o povo sai das casas e aluga suas camas. vivem de turismo, agora. nada mais se planta. nada mais se dá. 5 reais pra entrar na cachoeira, porque essas águas, seu moço, agora têm dono. o dia mal nasce e o cobrador já tá no pé do poço com banquinha pra carimbar. e o que é certo e o que é errado nessas bandas de cá e de lá? toca a viola, sinhô cantadô, porque o pensamento voltou.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
só para loucos!,
(como o tratado do lobo da estepe)
fade in.
a luz do corredor está acesa, barulho de chuveiro e concentração de ar quente saindo do banheiro marcam passagem do tempo. ele sai do banheiro. voz em off: “ e diz preocupar-se com o mundo, quer que todo mundo pense bem de você, que todo mundo pense oh, ele é bacana, é inteligente, é politikamentecorreto!” corta para quarto, ele entra no quarto, bagunça na cama. som de egsberto gismonti no computador ligado em cima da cama. voz em off, “esse cara é bom mesmo, hein? eu não conhecia. (tom de chacote) ignorante, você...” folheia o que tem na escrivaninha para ler. plano detalhe de piauí e le monde. voz em off, com sarcasmo: “companhias de quarto de hotel... oh, inteligente, você!”, cara de tédio, larga as revistas e pega o computador, o corpo ainda embrulhado em toalhas. voz em off: “se quer tornar-se roteirista, menos cursos. escreva escreva escreva. esse egsberto, puxa vida – quero dançar isso.” aumenta o som. plano detalhe dos pés. voz em off. “um teorema não pode ser desfeito. mas klimt envolvia o corpo das mulheres com tinta. e hundertwasser jogava aquilo que klimt pintava na arquitetura que ele criava. magnífica, a sua arquitetura, magnífica. queria poder jogar isso nas paredes de todas as ruas. pós muro... fim da história... raio que o parta! se você fala só o português, vai mal, mas pelo menos leia também o que escrevem em portugal... se você fala espanhol, que bom, o mundo hispânico se abriu para você... agora se você fala o inglês, ah sim, aí você chegou ao infinito. puts, eu tô lascado com o meu tupiniquim. ok, ok apago a luz do corredor.” pára de dançar, caminha até o corredor e apaga a luz. fade out, tela negra. legenda: “aborto de personagem”. tela negra, voz em off do personagem. “mas peraí, o personagem já nasceu, ele tem direito de viver.” legenda: direito de viver? ponto de vista do personagem: plano detalhe – ele grita: “eu já nasci?...” legenda em tela negra: “ter um parto natural não é algo fácil.”
créditos:
roteiro é literatura?
não, roteiro não é literatura.
dramaturgia é literatura?
não, dramaturgia não é literatura.
shakespeare é o que, então?
plano geral de são paulo debaixo de água.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Dias depois da noite-pesadelo, acharam o carro do meu amigo. Quem achou? Um outro seu amigo. Incrível as charadas do acaso a fazer-nos rir e respirar, como a Alice no Mundo das Maravilhas. Há dias não pensava outro pensamento, sonhos cruéis, com direito a metralhadora. Não resisti e comprei Arent, como quem busca através do conhecimento domar a impotência (vã jornada...). “Sobre a violência” é o título da sua obra, “a violência, no entanto, só tem sentido quando é uma reação e tem medida, como no caso da legítima defesa. Perde sua razão de ser quando se transforma numa estratégia ‘erga omnes’, ou seja, quando se racionaliza e se converte em princípio de ação”, mas comprei também Dom Quixote de La Mancha. Já é tempo, “desocupado leitor”, de ler Cervantes e apresentar-me a Sancho Pança, espero poder ser para ele personagem importante nesta nossa longa jornada. Os dias de São Paulo vão chegando ao fim. Sinto-me cansada de estar em túneis. E tenho pensado em alçar novos vôos, como se nada muito houvesse de sentido nesta breve escalada se não abrir os olhos em novos horizontes, deixando o Belo das Gerais, já conhecido, descansar. Cidades como esta que agora abriga meu pequeno ser tornam-me ainda mais introspectiva, sombria, melancólica. Não, não percorri a dita noite maravilhosa. Perdi o melhor, dirão. Sou das madrugadas solitárias, em quartos baratos e computador ligado, com música e álcool capaz de fazer-me escrever. Só. Vez ou outra, de tão rara quase nula, esparramo-me nas “baladas”, e destas poucas vezes, a cada cinco, talvez, em quatro mantenho-me estranha, ao canto, como olhar, apenas, a observar os corpos, os sons, os vultos, as fumaças. Por fim, na única que me sobra, creio saber degustar bem o tal sentido da palavra felicidade, me dissolvo inteira, danço, deixo-me olhar e seduzir, bebo, canto e transpiro, como uma mulher parece-nos ser ao perder o salto de cinderela. Não sei ainda o que induz ao movimento. Qual busca funda os passos e de qual raiz brota o princípio do desejo? É como se o princípio fosse secundário; como se a causa, necessária não fosse, apenas o ato em si, de ver-se em constante crise, capaz de levantar os pés e fazer colher novos passos. Passos novos ou eternamente retornados, sabe-se lá... Mas o que estranhamente é possível somar de toda essa subtração de dias é que, mesmo à exaustão cansado o corpo, há energia que empurra. Não necessariamente para frente, porque qual é mesmo o ponto-referência? O corpo se move. E quer ver o novo. E isso é tudo.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Continuo sem entender muito. E os dias somente parecem acumular mais peças deste estranho quebra-cabeça. Não tenho conseguido unir muitas delas. Há uma montanha de elementos aleatórios, um complexo sem unidade. Uma cidade-multidão se descortina com sua minhoca de ferro por dentro da terra. Estamos dentro da sua estrutura, talvez tenhamos sido transformados em aço, respirando sua umidade de fungos e ouvindo o seu assovio ácido enquanto recebemos mais notícias amargas sobre a violência, que acaba de atingir um amigo. Saramago não traduz melhor o que se passa, apenas torna-se um companheiro neste estranho caminhar. Tentamos compreender o que parece sem razão, como Caim, andarilho no velho mundo, buscando alguma lógica dentro do absurdo – conclui não haver. Ouço a voz de um amigo do outro lado da linha. A morte das centenas de meninos das favelas no Brasil é real, assim como a morte dos haitianos, porém ainda não tão tangível como aquela que toca o corpo de um ser em nós vivo pela força da afetividade. E a retórica some. Ainda ontem folheei Arendt numa estante e optei por não lê-la, na ilusão de estar em férias da violência. Antes disso Haiti já havia interrompido nosso sabat como óculos a descortinar não apenas o que há de anunciação para as catástrofes naturais por vir, mas como extrema miséria da humanidade inteira – não como exceção, mas como permanente realidade entre nós. Hoje, novamente, uma gotinha de sangue cai no colo. E quando ela aparece, na sua verdade de pele nua e crua, nada vem de Saramago, de Arendt, de Baratta, de Foucault, de Karam, de Soares a tornar mais fácil o percurso. A dor vence. O vazio. O silêncio. Apenas permanece uma vontade de abraçar e acolher o frágil corpo humano vilipendiado. O que será feito de tu, Caim, quando findar seu eterno percurso e suas coerentes indagações? E por que ainda esta sede de viver e escrever e fazer cinema e amar e viajar e correr e parar respirar sorrir e viver? E esta absurda e concreta força para querer poder contribuir para transformar o mundo, a cada dia, nos pequenos e necessários atos, buscando em Drummond o Tumulto capaz de escrever na pedra o que deve sobreviver e fazer-nos respirar.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
há vulto de um ser morador do lado oposto da rua, numa janela em contra-plano, como figura de fundo, imagem objeto, alter-ego de uma mulher sozinha que olha, espia, reflete, finge não ver. janela indiscreta. busca por um abrigo barato. aqui, a tudo chamam hotel, mesmo àqueles quartos que gemem no meio da enchente. e uma linha deserta a compor. tentativas de adaptação. enfim, estar presa num quarto impessoal de teto alto, de guarda roupa velho e álcool no frigobar. perder-se em anhangabaú, tentar se encontrar na liberdade, refletir as cores do que deve pulsar dentro, numa calçada repleta de corpos sujos de mendicantes e noiados. ilusão enobrecedora da escritura feliz. olhar a linha reta da são joão e procurar pela ipiranga. respirar a densidade do extra-texto. sonho da composição ideal que tome a forma de imagem. a busca por multidão. o que quer, moça? em que ainda acredita quando escreve e quer impor um texto seco a personagens quaisquer, que tomem a forma de boca, que tomem a forma de pulso, que tornem-se cor? a trajetória da cor, a trajetória da luz, a trajetória do texto é o lugar aonde os fracos não têm vez. stalker. um estranho no ninho. qual é o referencial das convenções? o que é um sonho ruim? camadas sonoras, sons específicos, objetos que ajudem a narrar sussurram o plano detalhe, o tom, o ritmo, a pulsação, o insite. dispositivo. forma. mas o personagem é apenas um estado, uma trajetória de estados, uma função da ação. síntese. ela precisa de um escalímetro capaz de medir o tamanho da saudade. e a infinidade de sonhos. sabe-se apenas que o ano novo já adentrou por esta janela. ela já deveria ter-se tornado outra, mas ainda se sente a mesma. 22:54. e se chover demais? tenho fome. um sanduíche de pão de sal com queijo, tomates, azeite e orégano substitui perfeitamente a pizza. mas nada faz cessar a saudade. estar viva é bom, neste fim de dia. (a saudade não é apenas falta. é combustível. tanto quanto queima, faz caminhar.)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Amanhã serei eu mesma. Hoje não. Hoje ainda sou outra. Mas amanhã hei de me transformar em mim, hei de me transmutar no que devo vir a ser, hei de brotar deste tumulto. Amanhã sim, hoje, ainda, um pouco mais de tempo para o que deixarei de ser quando o passado houver me feito renascer. Amanhã, tempo novo, terei forças para a renovação, por isso usarei branco depois de ter pulado o segundo revelador, que me fará adentrar o meu verdadeiro eu. Amanhã, vestida de branco, me lembrarei remotamente desta última tarde deste estado de ser em que sentada no sofá da sala, de ropão de banho amarelo e sem grande encantamento, me punha a refletir qual o sentido do tempo. Amanhã, sim. Um amanhã despontando já no entardecer deste fim de luz, desta cidade água, desta cidade deserto. Inspiradores água e deserto! Amanhã prometo tornar-me menos ácida, menos nostálgica, menos febril. Hoje ainda, não. Hoje ainda permito-me contemplar a chuva (que não pára de cair nesta cidade). Amanhã me vestirei de branco, mas hoje ainda, me enfeitarei de vermelho e laço no cabelo, deixando pulsar o calor que a chuva não seca. Amanhã, sim, prometo. Serei melhor. Hoje, ainda, continuarei sendo apenas uma pequena que escreve. Tenho pouco tempo para ainda permitir-me o estranhamento. Permita-me, por favor, permanecer assim, meio perdida, neste resto de passado, nestas últimas horas que serão por todos, há pouco, descartadas. E se por ventura esta oração no amanhã se confirmar quando o ano novo despontar, serei outra. [Mas serei assim, ainda assim, eu mesma?]
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
hoje o dia só existe para ser escrito. se pudesse, o faria até o infinito, até desfazê-lo integralmente, até formá-lo, átomo por átomo, imagem. escrevo em minha pele o desejo; em meus panos, pudores; em meu pescoço, minhas forcas. e essa música ... queria poder te tocar mais, porém algo de pudor impõe limites. não aprendi a ser melhor do que isso. estranhas me parecem as vozes que ouço. há uma infinidade de acontecimentos possíveis para a noite - um café, um bar, um encontro, um filme, um livro, ar da rua chuvosa, mas sucumbo. ler não melhora nada, ao contrário, me afunda mais na cachoeira de mim. não tenho fundo. posso chegar a perder-me enquanto juro percorrer a busca. encontrarei sempre retiscências. todos os personagens que me tomam a voz parecem uma extensão, parecem uma alusão às minhas infinitas formas de materializar-me. olho pra você e me vejo mais do que posso ao estar diante de um espelho. sou mais eu em você do que em mim. sou mais de mim quando te ouço. viver não é um consolo para o infinito, viver é o absurdo da dúvida, da incerteza, da possibilidade de perceber-se. nada há pra dizer e quanto mais percorro esta certeza, mais viceral se torna a literatura. a ciência se torna um exercício da dialética enquanto a literatura, uma oração. o verão chegou com chuva. as águas me ferem. é difícil se manter unidade quando a cidade inteira se molha. não é possível ser outra coisa quando os dias parecem inundados na chuva. não consigo permanecer lúcida na chuva. me recolho. custa-me muito fingir-me seca. estou em vias do absurdo.
"eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. provavelmente a minha própria vida. viver é uma espécie de loucura que a morte faz. eu escrevo à meia noite porque sou escuro." (clarice lispector)
hoje o dia poderia ter nascido neutro. sonhei com guerra e literatura. um tiro me acertou as costas. acordei. havia uma estante de livros no breu. reconheci clarice, achada no sebo. adorável mundo novo, drummond, balzac. todos numa estante, 5,00 cada. feliz cidade. o ano parece chegar ao fim, mais uma vez, para os humanos. luzes acesas enfeitam e clareiam a madrugada das ruas desertas. os homens gostam de luzes nos rituais. o que fazer com o natal? temo escrever as verdadeiras letras, aquelas que poderiam traduzir-me e refletir a imensidão do caos que habita meu limitado corpo. temo te afastar de mim, com minha literatura de nostalgias. por dentro o sangue percorre o infinito dos segundos enquanto permaneço indagação, sertão. quando o eco encontra espelho, quando o eco encontra palavra, quando o eco encontra resposta, dialética, contraponto, é o silêncio que me molda. a busca por afetividade é apenas a ilusão do reconhecimento. tú és a minha afirmação, a minha exclamação. balanço-me de um lado ao outro, o vento como companhia singela e suave, ah, mas ter um corpo debaixo do cobertor, um corpo para abrigar o outro que tem pesadelos... tenho tido muitos pesadelos. de diversas formas e gêneros. a diversidade traduz os sonhos lúcidos. quando eu acordo, estrago tudo. bicho, bicho. bicho. o que é o universo? olho os soldados e não têm rostos, apenas marcas de lutas e preconceitos. as instituições são o reflexo das coletividades. me posto no centro do meu tapete redondo. não consigo mais rezar. não há mais quem possa me salvar, mas sei: o sentido é vasto e de tão amplo, não cabe no amém. as pessoas se assustam com as palavras inventadas para nomear as coisas. algumas junções de letras causam asco. outras, regojizo. as coisas não são melhores ou piores devido as palavras que as nomeiam, mas ao sentido dado, à sensação posta no enfrentamento da sua perceção. sou esponja. absorvo o mundo e me moldo. me deformo. sou eu mesma? ou o que fizeram de mim? tenho profundo prazer em escrever. profundo, profano, sagrado. escrever é rezar. rezar é gozar. gozar é profundo ato de escrever. não sou o meu ato, mas o reflexo do desejo. não sou o que vejo, mas o que espero ser visto, ou o que vejo como irreal disposto entre o olhar e o visto. por favor, permita-me chorar. só mais essa vez, permita-me. rebenta em mim o pranto, rebenta em mim o corpo, rebenta em mim o jorro. sou mais água do que o oceano o consegue ser. cuido da terra e a terra precisa de água doce para fazer brotar o oxigênio das plantas, para te fazer respirar. eu sou oxigênio. morrerei dentro de algum tempo. morrer parece insano. não ser parece suicídio. optei por desconstruir-me com a morte. não permaneço. me desfaço no universo. por isso pareço insana. por isso permaneço signo. a espera se finda em loucura. eu escrevo no escuro porque sou noite. porém agora é entardecer de chuva e trovão. um raio cinza corta o céu, cheio de luz. enquanto isso um menino tenta captar o instante da chuva em minha janela.
sábado, 12 de dezembro de 2009
otra vez despierto al amanecer y miro el cielo tomarse poco a poco por nubes de color negro, como un hongo oculto entre las hojas secas en una playa desierta. por encima de las nubes me parece que sea más tranquilo que sobre la tierra, pero todavía no aprendí a volar… las nubes, como una película refleja el deslumbramiento de mis sueños - sucede en mi vida el eterno retorno de Nietzsche... del mismo modo que hay ciclos de las mareas, transcurre las emociones humanas… los momentos de dolor siguen ciertas leyes y ritmos, obedecen a un cierto número, tal vez en mi vida es un ciclo de 21, 22 y cuándo el día fatal llega, una sombra, como esta nube negro que ahora lleva puesto el cielo, cubre el mundo y toda felicidad suena a falso. pero entre las piedras nacen pequeñas flores y también los ciclos de serenidad ven cuando la tormenta pase… saber leer la sucesión de las olas me hace consciente pero no convierte menos intensas las sensaciones. sin embargo, los sentimientos no son un reflejo del mundo, pero de yo mismo y soy parte del mundo... entonces lo que siento es también una perforación de la unidad cósmica o una fracción del entero... hoy estoy en transición de uno estado para otro. el amanecer parece suave, ya que una línea recta del electrocardiograma... una pausa, uno suspiro, uno gozo…
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