quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

alfombra

 
Perscrutar Revolver
noite etérea, retorno
teu. sal
entra o corpo,
hálito ancestral.
                O mar, manso e morno,
velho hábito de nau, 
meu.

via con me



domingo, 5 de janeiro de 2014

etéreo


Põe no partir o passo em falso
a dobra o sonho acordado
o acidente.

Deixa ir e ficar seu legado

como um lugar sem nome,
um cão sem dono,
o parto inesperado de um filho
incontinente. 

Poema achado pra dar sentido

de tempo não perdido ao dia 
é aquele escrito mal dito
feito um rabisco em pedaço. 

O quanto disso é sério?, aceita austero

a paisagem deixada ao largo
da curva fechada desta
súbita viagem de barco.

Há sertão pra nunca ir

Ilíada inteira por ler
corpos cândidos vestígios
sabores de plantas colhidas
tudo virgem, cheiro de cru
pra jamais degustado.

A arte de reter é ser

e o seu espaço de ser
é para sempre se saber
devir.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013



superfície é onde o verbo
bóia de sem sentido,
asas pesadas, plumas molhadas
de uma vespa.

Despista o vazio
com o eco escancarado
de clássicos empoeirados,
urgências exotérmicas saciadas
com delírios marginais.

Funda é madrugada inteira acordada,
convulsões atônicas longe de casa,
inércia do sono em quarto de hotel.

dorme e acorda cem vezes
sem lugar em sonhos imbecis.

- de novo invadida por um poeta russo.





terça-feira, 24 de setembro de 2013

SHANTI


Entre sonhos inteligíveis
da última madrugada,
sentado numa calçada,
um menino de rua
me aparece austero.

Alguém que não vejo passa ao largo
e fogo sem haver porque atiça
nos membros miúdos 
da criança estirados.

Impávido permanece
o pequeno inerte.

Acolhe as chamas,
o dedo médio me lança
com olhar impassível
de foda-se a tudo,

e cruzando as pernas
se recolhe profundo 
à posição de lótus 
no mundo.

Pequeno ser preto 
de rua, singelo tibetano
com vestes em farrapos
e olhar de desapego.

Ele os olhos fecha
e sereno deixa 
em seu corpo 
se alastrar o fogo

frente à minha estática
contemplação.

O que quis dizer?

a mim,
este menino 
monge.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

DANDARA


Dandara comemora seus 4 anos de existência em 2013. Ocupação urbana com cerca de 6.000 moradores, esta comunidade se tornou referência nacional na luta pela moradia e teve sua história registrada em documentário do diretor argentino Carlos Pronzato, cineasta/ativista com mais de 30 obras realizadas, todas elas resgatando histórias de movimentos sociais e biografia de lutadores da América Latina. Assumi a fotografia still e imagens adicionais no filme. Acima, o link para o filme completo. E para conferir o meu registro como still, clique aqui.





quarta-feira, 21 de agosto de 2013

d e s i n f e s t o


nem tudo termina
na palavra

manifesto


antes o silêncio 

pousado numa letra
do alfabeto

ao vazio de um discurso 

escancarado

[vida longa ao olhar 
à espreita de um abraço]

Nana Boroquê,

Oyá, Oyá.


domingo, 14 de julho de 2013

do mínguo confesso



quando quiseres entrar
pode ser de não encontrar
sentido inteiro de pressa,
só minguante.

talvez encontre mistério e silêncio
quando a febre passar
e meu corpo acordar
desse olhar de querer
ver.

vou estacionar meu susto
do mundo em seus braços
e repousar essa nostalgia de
contemplar sozinha o entardecer.

tomo ávida seu espaço de dentro
quando te flerto nos olhos e
quanto mais capto,
menos penso.

enquanto você viaja
rogo eu adeus
em sonâmbulos versos
e também viajo eu.

adeus às esperas,
aos entraves,
aos freios que secam
e castram fábulas
por meras vaidades.

essa estranha paz ciência
adquiri faz séculos -
sou feita de ecos, Perséfone
de um mundo avernal.

se espera ácida
rapta o tempo,
melhor é que sejamos
hasta el infinito lentos.



domingo, 2 de junho de 2013

último tango


o impulso, analfabeto,
ao reger-se por um sopro, um eco,
se ajeita como um germe
mínimo de tempo
para um zeus criança

dentro tudo claro
como um e um são sóis

esse repentino querer
se toma forma de nome
cria reino escuro de reter
dito e certo saber, lugar comum

o certo é deixar sem escrito
esse desencontro súbito 
de nós dois

se ventas, por que vacila?
se nuvem, por que inventas?
se sopro, por que tormenta?

propósito:
corpo e corpo ocos
num quarto vazio

promessa
livre de gramáticas



segunda-feira, 20 de maio de 2013

rasgacielos



Pressente e aceita no ato
o que antes desse instante rasgar
já rangia na calmaria de um vento:
cada afeto abarca um teto,
cada sentido adentra manso
e toma o mundo ao seu tempo.

domingo, 5 de maio de 2013



estou farto
desse sem sentido fardo
de crer em metáforas e pardais

dose extra de sentido  
tomo um comprimido
e acordo sem saber
onde e porque

ponho o léxico pra fora
desligo a tv num soco
quebro um ovo goro 
estou só gordo 
e deitado num sofá
 
um jornal aberto ao acaso
tem um meu retrato antigo
vestido de smoking
estampado 

que putaria é essa?
tento dormir

Babel esmurra a porta
em trinta segundos disformes
caverna sem fundo
silêncio profundo
enlance sem freio
de nós dois

tento calar no peito essa dor
vou morrer tarde e sem cor
preso como a um enredo fétido
de bukowski
ó velho, 
que festa grande



sexta-feira, 26 de abril de 2013

FOTOGRAFIA



Minha nova casa: 
para visitinha, clique aqui.




quarta-feira, 10 de abril de 2013

Onde mora a saudade?



Curta que realizei compõe o catálago de Cannes Court Métrage 2013. Clique aqui.