sexta-feira, 27 de julho de 2012

CURTA PRODUZIDO EM BELO HORIZONTE







Personagem: Eleni Kouklanakis
Argumento, direção, produção, fotografia e montagem: Fabiana Leite
Assistência de fotografia e produção: Matheus Augusto e George Neri
Produção e still: Moacir Gaspar
Música: cedida por Makely Ka



quinta-feira, 26 de julho de 2012

FILHA DA CHAMA



fecunda novos dias enquanto a linha imaginária do horizonte oscila entre ciladas paridas de velhas fogueiras, porque não nasceu aqui. o corpo é pó de velhas bruxas já queimadas. de desprezar antigos sensos de realidade é dada a vivência sem freios entre desatinos sempre renovados. seu próximo livro irá se chamar Neblina. tudo o que vive é falso como este seu olhar lânguido de vinho a idealizar outras paragens. num filtro entre dois sentidos, a bruma do pouso, a curva da transitoriedade. a gosto deixou teu corpo descansar nestes lençois de julho e depois escorrer anônimo feito luz rasa pela fresta embaixo da porta.

Acariciar esta noite em teus braços, 
quermesse prevendo escoamento, 
bazar de lendas, 
esquecimento. 

faço as malas. posso partir amanhã ou depois e partirei decerto. se quero o silêncio calo, se quero o oposto grito. ficarei por hora em mim, expurgada do fogo, lira branca extraída de uma palheta suja. a espera não é mera busca, é breve certeza nonsense, vestido rasgado a mão por desejo impensado, felina de rua varando a hora sem eira nem beira. disseram haver firmamento, mas a felicidade da aurora é fria. ah, quisera ser aquela imagem sobre a colina. 

vai chover.
e se não há vida na terra
na hora da queda d'água
pra beber o que manda o céu,
escorre água doce
a se salgar no mar. 




domingo, 22 de julho de 2012

GRANDE HOTEL




Viviamos num quarto e sala do Malleta
sem geladeira e fogão só um colchão
rodeado de livros e cheios de vícios
como dois errantes vagabundos

no Xok Xok a filar cerveja

tudo durou pouco mais de três eras
vivi e morri 7 noites 5 horas 100esperas
no amor. so what?

comia poesia.
pois Zé,
também pudera...





ATÉ A ETERNIDADE






Você entra no meu barraco
faz festa no meu terreiro
e depois sem cerimônia
se manda nessa alegria?

eu juro que não queria
cair de quatro a cada passo
mas se você mudar eu mudo
se você casar eu calo

como pode se orgulhar
de desfilar com essa vadia?
um dia você vai voltar
vai se rastejar

e eu vou te esculhambar
vou te maldizer
mas vou te socorrer
vou te perdoar

e iremos nos casar
na igrejinha da serra
de frente ao mar

Aninha será nossa madrinha
Padre Fábio dará a sua bênção
depois disso um filho e outro
até chegar a menininha

e se mesmo assim não aquietar o facho
eu juro que te lasco todo
eu juro que te mato
eu juro que te mato.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

VIOLETA FOI PARA O CÉU




Nova publicação minha em Palavras sobre Coisas, uma pequena crítica sobre o filme biográfico da artista chilena Violeta Parra. Clique aqui.



terça-feira, 10 de julho de 2012




o homem cruza com trôpegos passos a noite.  dela deriva uns uivos de vento. adentra um atalho de pés descalços e pisa espinhos amontoados de cactos. junto vem sentidos de cego. fareja uma voz ao longe e pouca coisa o apavora, restos de aurora.

-       De pé.
-       Eu vou. Não diga mais.

um passo é dado. obscura expansão, transfusão de si. sangue gasto no outro. o horror metafísico do desconhecido se esvai com o olhar e nada ver.

- Os teus olhos, Fausto,
Não mais chorarão.

-       Agora. Que é que estás dizendo?
-       Nunca acerto no dizer.
enquanto me observas
posso engolir todo o vazio
percorrer distancias infinitas
e triturar o que sobrar nos dentes

-       Isso tudo é invento.
-       Melhor parte da vida é esta
que se pare por mera falta de acontecer.
-       Ponha-se nu.
-       Estou nu.
-       Então vista-se.
-       Feche os olhos e vestido estarei.

Se há realidade
Se há ser
Se há fato
Se há lucidez
Donde reside a loucura?
Nas vias escuras do amanhecer




quinta-feira, 28 de junho de 2012

diâmetro



De corpo aberto feito brisa de amanhecer
se estendeu no outro até sol de horizonte
queimar e dourar a pele
em imersão de vertigem,
miragem

de tudo quanto se presumia raso


intempérie reincidente
caminhada de retirantes

se misturou num segundo
o mar e o escuro, o dentro e o fora,
a luz e a lógica
o porto a árvore a fábula a lagoa a senha
e desfez toda espera

porque quando o desejo por semente
brotou do útero e jorrou nascente
não era do ventre que surgia o invento
era do desmantelo do momento


domingo, 27 de maio de 2012

Marcha das Vadias - Belo Horizonte














Para ver mais fotos clique aqui




domingo, 20 de maio de 2012





a borra na xícara ainda suja
desenha um corte no rumo 
desejado e antevisto

queda enquanto procura
se elevar, precipício

temendo anunciação cega dos astros
a mulher mete o dedo na chávena
e apaga o destino de toda certeza

grão torrado na hora
excita mais o paladar


quarta-feira, 9 de maio de 2012



enquanto fora o caminho se abre lento como um velho jacarandá rasgando sem pressa a terra para deixar fundar raiz, dentro tudo se desprende. debate-se em mil fogos. impossível se alimentar de uma fruta trancada no armário. quem dessas alices a tomar cálices de tamanhos variados terá a verdadeira dimensão do eu? ou nos nutrimos de grãos de esperas nunca saciáveis? depois de um certo existir se toma consciência dos ciclos de queda como vício por valas. há quanto tempo rumores de intimidade nunca experimentados? ausente de si e fixa no ego, colada à própra pele como se dispersa do mundo, do ar. estava lá, mas ausente por dias. seu corpo o sabia. olhos abandonados no esforço de uma procura vã. e a noite se via suave da pequena janela amadeirada. era preciso tornar a visão mais corporal. processos subterrâneos desatolando espelhos rachados. afluxos. o que há de verdade em tanta pulsão? recuo, retaguarda, desordens. à procura de si, impossível apropriação. cair é tudo? não. eis que é chegada a hora do plantio. é possível ser mais do que esta engrenagem, ser mais dos que estes olhos, estas mãos, estes pés, esta boca afoita por palavras. romper a apatia dos medos e das cercas. respirar e ser outono quando outono, inverno no inverno e colheita pro sertão. o que faz sentido e o que se deixa desfazer quando mergulhadas as mãos no calor do amor? longe vai para tentar descobrir e se desfaz de cadernos para tentar entender. escrever nem sempre descomplica os exteriores, as necessidades, o estar infundido. no fundo mora um estado de ser prisioneiro. e onde habita a liberdade? as paisagens testemunham as nossas celas. sim, mas no entanto já não existe fevereiro. amputar os entorpecimentos, respirar o outro e retornar. ah, avistar campos de trigo mas não saber torná-lo pão.



terça-feira, 8 de maio de 2012

Vida é Sonho - Renato Torres





Videos do Show Vida é Sonho, de Renato Torres, que produzi em Belém.


domingo, 15 de abril de 2012


 
o hálito de vinho da noite no terreiro se estende da boca ao corpo inteiro. intacto. embriagues em excesso de letargia como um navegante em canoa de peroba rumo a ítaca a se deixar guiar por céu nublado. pescador de tufão, peito nu banhado em sal. no tapete do salão um violão estende canto pra orixá aquietar os rumos incertos d’um coração, deserto sem provisão de ventos, estrada. a percussão faz soar um rasgão de céu. sensação de faltar mãos toma o pulso, um murro na madrugada, espada. quem te livrou de tanto mal em noite de pranto, acalanto, rio sem ponte, estiagem. o som um estertor, arquejo de fome. este caminho é dos que afundam quanto mais se nada. passa alfazema, se benze com erva e beija a mão da santa - reza não te livra de males mas distrai dos pensamentos, dá passagem. enquanto a moça dança o cantador afaga as cordas e olha os pés bonitos dela no chinelo de couro a tirar poeira do chão. arrumação no peito é deixar vazar segredos, rasgar a alma e se entregar. água que nasce na seca morre antes de conhecer o mar. coração de retirante é calmaria que antecede pororoca, banzeiro em equinócio. a madrugada se estende vazante de semente, ruína, escombro. comitiva de oximoros, pés descalços. tú caíste de um ninho, passarinho de olhos grandes amedrontados. parece grande, parece forte, mas é menino. tem medo de que? sombras de pressentimentos, sombras. átomo a tremer. medo de que? sorve essa pena, absorve essa dor e arrebenta. corre dentro da veia sólido desejo, deixa escorrer o afeto, deixa sangrar um afago. ninguém cai só quando quer. se quer ir, vai - ninguém é sem saber. mandinga de amor, se é pra doer, dói.