a linha imaginária do horizonte oscila entre ciladas de desprezar antigos sensos de realidade é dada a vivência sem freios entre desatinos sempre renovados. seu próximo livro irá se chamar Neblina. tudo o que vive é falso
quinta-feira, 26 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
GRANDE HOTEL
Viviamos num
quarto e sala do Malleta
sem geladeira
e fogão só um colchão
rodeado de
livros e cheios de vícios
como dois
errantes vagabundos
no Xok Xok a
filar cerveja
tudo durou
pouco mais de três eras
vivi e morri
7 noites 5 horas 100esperas
no amor. so
what?
comia
poesia.
pois Zé,
também
pudera...
ATÉ A ETERNIDADE
Você entra no meu barraco
faz festa no meu terreiro
e depois sem cerimônia
se manda nessa alegria?
eu juro que não queria
cair de quatro a cada passo
mas se você mudar eu mudo
se você casar eu calo
como pode se orgulhar
de desfilar com essa vadia?
um dia você vai voltar
vai se rastejar
e eu vou te esculhambar
vou te maldizer
mas vou te socorrer
vou te perdoar
e iremos nos casar
na igrejinha da serra
de frente ao mar
Aninha será nossa madrinha
Padre Fábio dará a sua bênção
depois disso um filho e outro
até chegar a menininha
e se mesmo assim não aquietar o facho
eu juro que te lasco todo
eu juro que te mato
eu juro que te mato.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
VIOLETA FOI PARA O CÉU
Nova publicação minha em Palavras sobre Coisas, uma pequena crítica sobre o filme biográfico da artista chilena Violeta Parra. Clique aqui.
terça-feira, 10 de julho de 2012
o homem cruza com trôpegos
passos a noite. dela deriva uns
uivos de vento. adentra um atalho de pés descalços e pisa espinhos amontoados
de cactos. junto vem sentidos de cego. fareja uma voz ao longe e pouca coisa o
apavora, restos de aurora.
-
De pé.
-
Eu vou. Não diga mais.
um passo é dado. obscura
expansão, transfusão de si. sangue gasto no outro. o horror metafísico do
desconhecido se esvai com o olhar e nada ver.
- Os teus
olhos, Fausto,
Não mais
chorarão.
-
Agora. Que é que estás dizendo?
-
Nunca acerto no dizer.
enquanto me observas
posso engolir todo o vazio
percorrer distancias
infinitas
e triturar o que sobrar nos
dentes
-
Isso tudo é invento.
-
Melhor parte da vida é esta
que se pare por mera falta
de acontecer.
-
Ponha-se nu.
-
Estou nu.
-
Então vista-se.
-
Feche os olhos e vestido estarei.
Se há realidade
Se há ser
Se há fato
Se há lucidez
Donde reside a loucura?
Nas vias escuras do
amanhecer
quinta-feira, 28 de junho de 2012
diâmetro
De corpo aberto feito brisa de amanhecer
se estendeu no outro até sol de horizonte
queimar e dourar a pele
em imersão de vertigem,
miragem
de tudo quanto se presumia raso
intempérie reincidente
intempérie reincidente
caminhada de retirantes
se misturou num segundo
o mar e o escuro, o dentro e o fora,
a luz e a lógica
o porto a árvore a fábula a lagoa a senha
e desfez toda espera
porque quando o desejo por semente
brotou do útero e jorrou nascente
não era do ventre que surgia o invento
era do desmantelo do momento
domingo, 27 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
enquanto fora o caminho se abre lento como um velho jacarandá rasgando sem pressa a terra para deixar fundar raiz, dentro tudo se desprende. debate-se em mil fogos. impossível se alimentar de uma fruta trancada no armário. quem dessas alices a tomar cálices de tamanhos variados terá a verdadeira dimensão do eu? ou nos nutrimos de grãos de esperas nunca saciáveis? depois de um certo existir se toma consciência dos ciclos de queda como vício por valas. há quanto tempo rumores de intimidade nunca experimentados? ausente de si e fixa no ego, colada à própra pele como se dispersa do mundo, do ar. estava lá, mas ausente por dias. seu corpo o sabia. olhos abandonados no esforço de uma procura vã. e a noite se via suave da pequena janela amadeirada. era preciso tornar a visão mais corporal. processos subterrâneos desatolando espelhos rachados. afluxos. o que há de verdade em tanta pulsão? recuo, retaguarda, desordens. à procura de si, impossível apropriação. cair é tudo? não. eis que é chegada a hora do plantio. é possível ser mais do que esta engrenagem, ser mais dos que estes olhos, estas mãos, estes pés, esta boca afoita por palavras. romper a apatia dos medos e das cercas. respirar e ser outono quando outono, inverno no inverno e colheita pro sertão. o que faz sentido e o que se deixa desfazer quando mergulhadas as mãos no calor do amor? longe vai para tentar descobrir e se desfaz de cadernos para tentar entender. escrever nem sempre descomplica os exteriores, as necessidades, o estar infundido. no fundo mora um estado de ser prisioneiro. e onde habita a liberdade? as paisagens testemunham as nossas celas. sim, mas no entanto já não existe fevereiro. amputar os entorpecimentos, respirar o outro e retornar. ah, avistar campos de trigo mas não saber torná-lo pão.
terça-feira, 8 de maio de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
o
hálito de vinho da noite no terreiro se estende da boca ao corpo inteiro. intacto. embriagues
em excesso de letargia como um navegante em canoa de peroba rumo a ítaca a se
deixar guiar por céu nublado. pescador de tufão, peito nu banhado em sal. no tapete do salão um violão
estende canto pra orixá aquietar os rumos incertos d’um coração, deserto sem
provisão de ventos, estrada. a percussão faz soar um rasgão de céu. sensação de
faltar mãos toma o pulso, um murro na madrugada, espada. quem te livrou de
tanto mal em noite de pranto, acalanto, rio sem ponte, estiagem. o som um estertor,
arquejo de fome. este caminho é dos que afundam quanto mais se nada. passa
alfazema, se benze com erva e beija a mão da santa - reza não te livra de males
mas distrai dos pensamentos, dá passagem. enquanto a moça dança o cantador
afaga as cordas e olha os pés bonitos dela no chinelo de couro a tirar poeira
do chão. arrumação no peito é deixar vazar segredos, rasgar a alma e se
entregar. água que nasce na seca morre antes de conhecer o mar. coração de
retirante é calmaria que antecede pororoca, banzeiro em equinócio. a madrugada
se estende vazante de semente, ruína,
escombro. comitiva de oximoros, pés descalços. tú caíste de um ninho, passarinho de olhos grandes amedrontados. parece grande, parece forte, mas é menino. tem medo de que? sombras de pressentimentos, sombras. átomo a tremer. medo de que? sorve essa pena, absorve essa dor e arrebenta. corre dentro da veia sólido desejo, deixa escorrer o afeto, deixa sangrar um afago. ninguém cai só quando quer. se quer ir, vai - ninguém é sem saber. mandinga de amor, se é pra doer, dói.
domingo, 25 de março de 2012
transcendências
No
principio era o Indivisível
inseparável do eu até o ato da criação,
que
da desaparição do Todo
impeliu
o Um a nascer.
O
fragmento sopro de barro,
penugem
de verbo deve esforçar-se,
posto
agora como parte num mundo
amplo
e adverso, ao despojamento.
Caído
do pleno em razão
busca
entendimento com resquícios
de
paisagens distantes,
lembranças
de antes.
Na
terra esforça-se como semente desprendida
por
afirmar o que foi depois de deixar de ser –
estado
de movimento contínuo e invisível
que
assim se pretende e em humanidade alardeia.
Bicho
que foi inda antes de si, com
espírito
de caverna rejeita o dado e
absorve
o mais extremo
como
o mais provável:
foge
à objetividade rumo à afirmação
de
um choque – forma pretérita
conservada
lenda viva, manifesta
em
rituais de fogo e renascimento.
A
ponte é indecifrável
e
por vezes basta a primeira infância
para
fazer dormir o que
mais
tarde ressurge em fendas.
Haverá
isso no mundo?
Onde
beira o firmamento?
O
que é e pode não ser verdadeiro?
Feliz,
pensa quem ousa depois,
é o
ser do desprendimento
que
deixa vazar uma rachadura
do
real com o mundo.
Tudo
o que não existe
existe.
basta
ter olhos pra ver
Assinar:
Postagens (Atom)


