segunda-feira, 12 de abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

"la condición más preciosa del creador. el fanatismo. tiene que tener una obsesión fanática, nada debe anteponerse a su creación, debe sacrificar cualquier cosa a ella. sin ese fanatismo no se puede hacer nada importante." (sábato en 'el escritor y sus fantasmas')

" la creación artística se assemeja en ciertos aspectos a la contemplación mística, que puede ir también desde la oración confusa hasta las visiones precisas." (delacroix)

quinta-feira, 8 de abril de 2010



lo inesperado, cuando sucede, ¿qué hacer?
venga hacia adelante, que sea manifiesto, respira sus palabras ... hay un vasto océano de mi ventana en San Salvador. tú duermes allí, pero aún es capaz de mantenerme despierto, como las olas que nunca duerme ...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

caminando por las calles en y con buenos aires









nadie duerme en la carreta que lo conduce de la cárcel al patíbulo, y sin embargo todos dormimos desde la matriz hasta la sepultura, o no estamos enteramente despiertos. una de las misiones de la gran literatura: despertar al hombre que viaja hacia el patíbulo. (donne)

difícil transformacion de mi historia para encontrarme en el mundo. son tiempos de intemperie en que me he movido en este contorno de mi misma. un tiempo de fantasmas, pero tengo la convicción de entrever campos de fidelidad a mi condición – un continente lleno de cojeturas, pero al menos ahora es el producto de mi voluntad. ha llegado el momento de decir adiós a ciertos cadávares que, como extranjeros solitarios y desamparados, ha borrado una imagen falsamente familiar de mi. encontrome siempre una extrajera solitaria, mismo cuando en otras arquitecturas de buenos aires. no ha seguridad, y si la quiebra total de la liberdad: ¡ironia! como se un asaltante, con su desesperanza y miedo mi ha abierto el cielo y la tierra; no hay nada y nadie: ¿qué hacer? difícil relatar en el dominio de la literatura mis convicciones, enbarco en tierras lejanas, busco otros espacios, otras línguas, reflejo del diario de una crisi – ¡vivo nesta condicion! como sábato, “no soy un filósofo y dios me libre de ser un literato; son la expresión irregular de un hombre [una mujer] de nuestro tiempo que se ha visto obligado a reflexionar sobre el caos que lo rodea”. no bastame un sentido absoluto como algo fuera de nuestra cárcel; tambien el opuesto, el hombre concreto solamente, no bastame. ¿por onde camiñar? tengo pasiones y mezquindades y voy lejo encerrada en mi torre... como en uno sueño, por melancolía (y tal vez por temor), ¡no soy piedra! (vivo en una ciudad abstracta). ¿la soledad? realidad de la lenguaje, voluntad de la lenguaje, verdad de la lenguaje. pero la comunicación no se hace solamente por la lenguaje, o la lenguaje es más que letra – és amor, amistad, sexo, arte – desencantamiento y resurgimiento del mágico, insurrección de la poesía. ¿la poesía?, paradojo: és, contra o que muchos piensan, exceso de la razón, pero tambien és la manera de expressar la intimidad más profunda de si mismo.




domingo, 4 de abril de 2010


en buenos aires prevalece otros fundamentos...
sábato me hace compañía,
me ayuda a sobrevivir en esta ciudad.
vos estás más lejos ahora
,
pero yo me encuentro en mí...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia da mentira





É impossível a qualquer um pensar já conhecer suficientemente a sua própria geografia sem percorrer as ruas mais estreitas, fugir às grandes veias e adentrar as ínfimas vias; sem eleger a menor das portas, qualquer uma daquelas que vá se estender em outras tantas.

Uma porta de madeira velha range e se abre para um pequeno cômodo, na presença do sol; há lençois pendurados separando os quartos, a cozinha e o banheiro, da sala, que abriga um sofá já velho de vermelho desbotado, uma mesa de compensado carcomida por cupins e uma estante repleta de pequenas tralhas.

Uma velha senhora, sozinha, sentada num banco de madeira com o braço escorado no fogão de lenha, sustenta o queixo enquanto contempla os olhares envidraçados das largas vias que buscam rapidamente daquelas margens cinzas escapar. Cabe considerável conjectura aquilo que de fato pode ocorrer. A senhora ouve o trepidar do fogo aceso e futuca a chama com um dos galhos estendido na superfície de barro.

A existência da velha senhora, dentro da velha casa, escondida no subterrâneo espaço, parece ser um lugar para, depois de superado o medo inicial, poder acalmar-se numa xícara de chá? O que virá depois? Você não entende como chegou até ali e quem pode vir a ser este ser que te acolhe em silêncio.

Ela te diz para não temer, mas também ela teme e clama pela sua menina. Ela veste um vestido simples, cinza, com estampa floral e usa sandálias abertas nos pés; tem os pés calejados, as mãos gordas e o olhar sereno. Enquanto ela remexe o fogo você observa um pássaro se formar na chama e sumir rapidamente ao bater das asas.

Coma um bolinho, ela diz. Você come. Coma outro. Você come. Tome um gole de chá. Chá de folha? Não gosto. Mas esse eu ranquei do xaxim. Você toma. Você se senta. O que você faz ali? Quem é esta mulher? Um estrondo. O pavor te toma, uma porta se fecha, suas pálpebras, e um túnel se abre.

Uma grande via te absorve. Você está dentro de um carro, agora, e de olhar envidraçado avista o barraco da velha senhora. Ela continua lá dentro mexendo o fogo, te olha enigmática e sai pela porta do fundo, uma via que talvez se revelasse para você logo em seguida. Mas logo em seguida não ha mais para você, ali.

Você se afoga na larga avenida, de volta ao confortável centro, despejada no fluxo. Na esquina uma menina segura uma pedra, talvez seja a filha da velha senhora. Você pensa em parar, recuar e buscar entender, mas a velocidade deixa escapar o desejo e te faz seguir em frente. A velha geografia se abre, aquela que você pensa seguramente habitar.

O fogo, a senhora, a menina, todos os becos e portas passam a compor apenas um campo onírico ou um tempo pretérito. O dia de hoje será o dia da mentira porque já não existe mais. Apagar o fogo e molhar a brasa.

Mas o chá era saboroso. E também o olhar da velha senhora. 



.

sábado, 27 de março de 2010


se algum dia você qualquer coisa assim
um movimento, um verbo, uma valsa,
uma palavra errada,
quase nada
qualquer coisa,
se algum dia você assim,
Hein?
nenhuma importância para a polis, etc e tal (?)
o futuro do mundo, a preservação do planeta, a floresta amazônica... (mentira!)
não é você quem vem, nem sou eu quem vai,
são os ponteiros que não cessam de correr, nem as estrelas de cair
- uma acaba de tombar do caos, obscena. (menos luz para o infinito)
o sono começa a embaralhar toda a órbita
e amanhã talvez já não exista tempo.
(será tão difícil entender?)
o trânsito silencia no meio da zero hora – por favor,
não diga mais nunca mais nada. dor de cabeça. hora do chá.



sábado, 13 de março de 2010

reminiscências



sou capaz de morrer. pulo do alto para experimentar asas, mas se a velocidade da queda abala minha respiração, paro. me agarro numa janela. de dentro, um outro, estranho, me assiste, quer ver a minha queda. ou, quem sabe, me estender as mãos. o sofrimento não cabe em mim. então estamos bem assim, neste intervalo. é exatamente aí que é possível sermos: na ausência de pesos. mas é um paradoxo... não ter à disposição, o mundo, quando o quero. deixo de querer. só desejo o possível. mas também por isso, aos doze anos me tornei vermelha: porque o impossível também existe, e serve para fazer caminhar. sensações se sucedem numa velocidade estonteante, mergulhando-me em águas nem sempre cristalinas, obrigando-me a lutar para ver e respirar enquanto esta mesma água densa e quase cinza, me aquece num calor líquido e me faz desejar a permanência. relaxo o corpo, deixo de lutar e percebo que assim, sem resistência, sobrevivo porque meu corpo sobe à borda naturalmente, trazido pelo oxigênio que ainda há em mim, mesmo que agora eu lute para me manter aquecida dentro, náufraga. o meu corpo sabe mais de mim do que eu mesma suponho saber. ele se manifesta sem que eu saiba, ele é, integralmente, minha anima e se manifesta em cada ínfimo ato. o olhar diz, a boca olha, os dedos respiram, o ouvido grita, as pernas escrevem, a pele pensa, a voz cheira, a saliva pulsa. e meu pensamento quebra tudo. é preciso não pensar, só ser. deixar o caos formar o cosmo. deixa eu ficar assim, convencida de que as águas são calmas e meu corpo se mantém sobre elas com o olhar fixo na primeira estrela que surge no céu noturno. tento fazer um pedido, de olhos fechados...






sexta-feira, 5 de março de 2010


A música surge num trecho já distante da jornada, como elemento diegético da narrativa, para fazê-los permanecer, por algum tempo, voltados cada um aos seus próprios sentimentos, às suas peculiares lembranças, às suas distintas significações, dadas ao caminho que até ali se deixaram conduzir. Ele escolhe uma música instrumental para preencher o silêncio e temperar o vazio, como se no ambiente deixasse de caber somente os corpos, como se necessário fosse substituir as palavras por uma forma mais abstrata e simbólica de linguagem, como se rendidos estivessem, desarmados, entregues à melodia do caos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

meta physis


As coisas que existem parecem
ser
aquilo que contém mais,
nous
e não o composto que firma a unidade
ou cada um dos elementos que compõem o todo - infinitu

assim, deus é Logos,
logo existe
- e sendo ele nous,
é apenas palavra
assim como Orgia era,
para os órficos,
sacramentum.

Todo raciocínio
exato
compreende objetos ideais,
anima
em contraponto a objetos sensíveis,
matéria
(as almas cheiram mal);

e todo ser, dasein,
por ser coisa,
por ser todo,
é, por o ser em maior parte, pathos

e todo pathos, enquanto não-lugar,
é utopia ou a afirmação de um ideal
no tempo-presente
e não a negação do tempo-presente
perdido num ideal.

e esta preguicinha boa de fim de sábado...

mas pra severinim, enquanto isso,
não há sabat
e meta
é
lavrar sua terra - physis,
sozinho e só.
(mas terra lavrada é poesia)


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cabeça de Boi e o seu carnaval-avesso



há uma montanha com pasto, galos e maritacas e isso impede o pensamento de brotar. o imaginário deserta qualquer invenção, desagrega as cores e os sons. não há forma a compor quando um caminho de santiago rasga o olhar e alumia a madrugada. uma estrela se move no céu, talvez esteja morta, vagando na eternidade, como estamos de cá para ela. a estrela-senhora, milenar, nos fita do seu deserto particular, da energia que ainda pulsa deste seu minúsculo e último suspiro de luz, de sua total filosofia. no acampamento, enquanto a constelação silencia, um casal em desavença troca xingamentos, repletos de desejo e sem ter como domá-lo. se acusam. se atropelam. cortaram o tronco da oliveira, rasgaram o curso da nascente. tormenta. o amor nem sempre sabe se declarar. a noite inteira até o galo cantar - Adeus, vou me embora dormir na praça, não posso dormir nesta barraca com o seu corpo pulsando ali fora, no rio, debaixo do bambuzal. não consigo dormir ao saber de você aqui,. tudo está como ontem, como se não houvesse anteontem. dez quilômetros de terra de sol até o distrito no horizonte firmar. calor de morrer, de fritar os miolos, fome e sede. quando o mundo construiu esta vila, esta praça, este buteco de adobe, quando ainda era de carvão que se ganhava aqui o pão, e os minino não tinham escola não, talvez tenha inventado junto, ali, este dia de eu estar aqui. mesmo cantando a vida inteira, vontade de cantar mais, a saudade e todo o desencontro. - E pra quê ter pés se não pra caminhar? põe as pernas pro ar. e chega lá, aonde eu fui e é também em qualquer lugar aonde você possa estar, aonde o poente chega lento no pé alto da serra, e uma brisa já fresca inrompe a trilha e acaricia a vila. seu agostinho arranha um choro na viola sentado num tamborete. o desejo não pára neste desmantelo de tarde. é o modo contínuo que a vida inventou de brotar e morrer. todos os dias, as idas e voltas. eu sei que é fevereiro e tem gente com medo das águas de março, das tempestades, dos fins dos tempos, das ilusões da mudernagem. tarde de cinzas. quando o carnaval passar, eu quero estar lá, sol, fá. 7 léguas? porteiras a abrir pro cavalo passar. você cavalga, ele trota, ele galopa, e um chapéu de palha faz sombra no percurso e percorre a estrada, rasteiro, feito uma jibóia que engoliu um elefante. o sol torna monossilábico o andarilho. cada palavra dita é água do corpo gasta. silêncio, que é dia de seca. há uma cruz no centro da praça, a conformar a crença, a registrar o cristo do sertão das gerais. sertão de verde vivo e caminhão pipa. de rio vasto e gado magro. os carros chegam nos feriados. o povo sai das casas e aluga suas camas. vivem de turismo, agora. nada mais se planta. nada mais se dá. 5 reais pra entrar na cachoeira, porque essas águas, seu moço, agora têm dono. o dia mal nasce e o cobrador já tá no pé do poço com banquinha pra carimbar. e o que é certo e o que é errado nessas bandas de cá e de lá? toca a viola, sinhô cantadô, porque o pensamento voltou.