domingo, 4 de outubro de 2009



texto de Santiago, personagem do documentário de João Moreira Sales, excepcional! quanta sensibilidade. em joão. e em santiago!
(Santiago. uma reflexão sobre o material bruto) [assistam, assistam, assistam]


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sábado, 3 de outubro de 2009



ver se vê nos poros
não nos olhos
que os poros são mais postos
a sentidos

um corpo vazio
ocupa um lugar

o lugar do ar
o lugar da água
o lugar do horizonte

a dor é um lugar

sombrio
vazio
e cheio de ar

dá para respirar

o ar vazio de um corpo
está cheio de horizonte

aquilo que no ar ocupa um lugar,
aquilo,
a dor,
está cheio de vazio

o vazio ocupa o lugar do ar. 

o rio leva
o galho, o rio leva
a folha, o rio leva
o bicho, o rio leva
tudo que é leve, leva, leva
a nuvem, o rio leva?
a água - da chuva, da fonte, do balde, do cuspe, da lágrima, do gozo
o rio leva ou já é rio a água que não era e lá caiu?
chia brando um chhhiado de chuva
chama o sono, chama o canto
chama chanchã, chama, chama
o rio que chama e que leva, quando passa, passa?
o rio que passa, se é que passa
embora sempre sempre
leve a nuvem, leve o galho, leve a folha, leve o cuspe, leve o leve,
o rio doce até à foz,
quando fica salgado, deixa de ser rio?
E em qual gota terá deixado de ser doce, o rio?
o rio que se foi deixando,
se deitando
se deitando
se deixando a(o) mar



domingo, 27 de setembro de 2009




o sonho de ser literatura, de viver literatura, de respirar literatura e de a partir da literatura criar um novo mundo, de amores e utopias, faz refletir o que há de humano no cosmo, as frustrações sentidas e dissipadas no ar e no outro [uma camada de gazes circunda a existência e aos poucos dissipa todo o oxigênio das marés] enquanto ainda essas palavras tocam uma meia dúzia de eus, divago só, ou em forma de dois, desta pequena montanha de tijolos disposta como habitat para alguns quilos de idéias e projetos que são arquitetatos, rabiscados e compartilhados a partir de fios imaginários que cruzam os ares, para ir te encontrar aí, em outro qualquer ponto da circunferência enquanto o silêncio persiste em ser a nossa forma máxima de comunicação. tudo o que é escrito é ponte e deste percurso, um rio cruza em octogonal. mas há lembrança para além do silêncio. a memória finda cada átomo de ser e difine o corpo, o gesto, o suspiro e este olhar lacrimejado com gosto de mar. amar é bom, mas dói. viver é bom, mas dói. morrer dói. mas é bom? o que melhor define o momento em que seu peito se descobriu nu e só? paronomásia? eu que passo, penso e peço? ordenamento de estética? edificação de um novo eu? paisagismo eletromagnético? não: só o estado das cousas. ou um cão que ama trens. você é um ser que acredita no amor na justiça e no inferno? você consegue se ver sem deus? você se dispõe à solidão? está exausto ou ama muito tudo isso? mas não há com que se preocupar: cavaleiros teutônicos virão te salvar! não há velho, não há novo, a mesma repetição de sistemas. mas existe a literatura. todas as paredes estão em branco, para serem escritas. a tinta secou, mas há sangue em todas as extremidades dos membros dos mamíferos! não somos equídeos nem rinocerontes - temos cinco dedos, então avante! faça sangrar seu poema em vermelho. ou não.



sexta-feira, 11 de setembro de 2009


(foto colhida no site http://www.bhnostalgia.blogspot.com)



Lagoinha: um corpo em chamas.


“Adeus Lagoinha adeus
Estão levando o que resta de mim
Dizem que é força do progresso
Um minuto eu peço
Para ver seu fim”
(Gervásio Horta e Milton Rodrigues Horta)


"Governar é povoar;
mas, não se povoa sem se abrir estradas,
e de todas as espécies;
Governar é pois, fazer estradas".
(Washington Luiz)


Já em 1980 sambistas da Lagoinha cantavam com nostalgia as agruras sofridas por um bairro que década após década é dissolvido em asfalto, mas vive! Na memória dos seus moradores e na arquitetura das casas, muitas delas com bocas e olhos carcomidos por traças e cupins, mas ainda de pé e resistindo bravamente, mantendo viva a história deste, que pode ser considerado um dos mais antigos bairros da jovem Belo Horizonte. A Lagoinha foi citada em documento de 1711 na Carta de Sesmaria ao bandeirante João Leyte da Sylva Ortiz, quando essas montanhas ainda eram conhecidas por Curral D'el Rey.

As casas que compõem o conjunto arquitetônico e que dia após dia deixam tombar para não cair as suas camadas de pele, foram listadas pelo Departamento de Patrimônio Urbano e Cultural da cidade como sendo mais de 600 (isso mesmo, seiscentos!) “monumentos de grande importância” para a cidade. Onde estão esses “monumentos”, amigo leitor? Em qual estado de preservação se encontram? Foram tombados? Revitalizados? Conservados? Ainda existem?

Já digo logo: não estou aqui fazendo defesa contra o progresso, longe de mim! Devo confessar sentir certa saudade de bondes sobre trilhos cortando a Lagoinha, mas fora isso acredito ser possível conciliar as necessidades da cidade de hoje com a preservação de patrimônios que têm incrustados em si a história da cidade. Basta um pouquinho só mais de zelo por parte do poder público...

A Lagoinha sofre o desmazelo da Lei porque é mãe desafortunada que tem, na madrugada, os seus filhos queimados. Pararam um carro ali no Bonfim e tocaram fogo em seu Osvaldo, igual fizeram com o índio Galdino em Brasília, lembra? Ele teve o corpo setenta por cento atingido por chamas mas sobreviveu e continua morador de nossas ruas, de volta ao nosso convívio. Mas tem cravada no corpo a marca de uma humanidade que queima gente.

Com a duplicação da Antönio Carlos, centenas de seus osvaldos habitam agora a Rua Itapecirica, marginais aos proclames de uma cidade que expande seus asfaltos. Toda vez que olho para eles ali, quando subo a Itapecirica, vejo refletido em seus olhos a história da Lagoinha, um bairro histórico transformando-se em ruínas. Sendo derretido. Um bairro com o corpo em chamas, como o de seu osvaldo. Quem vem apagar esse fogo?



(foto de Gabriel Zupo)






domingo, 16 de agosto de 2009



os cabos estão proibidos para escaladas. tome as trilhas de pedras laterais. saiam daqui agora, vou ligar para a polícia. este trabalho é estressante, não? sim, muito, estou aqui desde ontem. ninguém vem tomar o seu posto? sim, mas ainda não chegaram, sigam pelo parque e retornem por aqui. inverno, mas amarelos os ipês apontam a primavera do alto. há vozes. elas fazem com que você se faça muitas perguntas. quem é você, o que faz, o que é, como se sente, o que pensa do mundo? parlatórios, idéias gerais, conceitos, a morte dilui tudo. h1n1 torna mais esdrúxula a existência. menos poético do que morrer de amor. mais crua e visceral do que morrer de fome? h1n1 não tem classe nem cor e por isso repercute um poquito más. quem propaga a gripe, los mexicanos, el viento, el medios de comunicación o los laboratórios? em saramago a catástrofe é mais palatável: literária. quisera fosse apenas. não esperam que você responda, não esperam respostas, apenas a sua adesão. e nem somos capazes de romper, embora quiséssemos somente fingir pertencimento, participação. preciso fazer xixi. um sol? um peso? um real? um dólar. donde vives? lhe dirão que o lago é cinematográfico [mas nenhuma palavra para revelar o efeito perverso da mineração] a bandeira está posta no chão, feita assento. eles podem se zangar! eles querem que fique tal qual foi educada para sê-lo, mecanicamente. não queira se ver de fora, não queira... estão agora com seus rostos sorridentes. mas atentos! lhe seguram pelas mãos e te conduzem (rumo a?) que mãos quentes eles têm... leito branco de hospital, cama macia, oxigênio farto. - mas não quero morrer aqui! eles o tomam pelos braços. - não quero morrer aqui. eles ouvem o rugir da morte e a alastram em rede nacional. (- não quero morrer aqui....) à sua esquerda seus entes queridos usam máscaras e sentem o hálito da morte. [não quero morrer aqui], em túmulos coletivos tal qual na idade média. a pós-modernidade há de ter servido para alguma merda, não? nem para livrarmos-nos das tumbas sem nomes? e ali está seu amigo, e ali está seu amado, do outro lado. estão apoiados em você, escorados em sua miséria, temendo o absurdo tamanho do nada. - mas eu não quero morrer aqui... espere! como a cidade é linda vista desta serra... deixe-me senti-la, deixe-me respirá-la pela última vez. qual era mesmo o nome da cidade antes de se tornar belo horizonte? serra do curral. ha ha ha. acho graça, acho poético. daqui de cima estamos livres da gripe(?) e quem sabe qual caminho faz o microscópico ser? espero não ser um fardo muito muito doloroso para todos... há um poço abissal, azul anil, cheio de larvas, explodindo em seu peito. um homem surge sujo de minério, sinistro. se eu tivesse seis quilos a menos, diz, teria morrido hoje. havia a dor, o cheiro da morte exalando dos seus poros. silêncio, reverência ao seu quase-fim. depois, depois o trágico faz-se cômico: gargalhada. escapa (ele) da linha transparente. ainda pensa, ainda existe. logos. respira um ar viciado de bactérias. grita quando se distancia. júbilo por ter superado as pedras. júbilo. você acredita em deus? - espero para ver se ele existe. terá que descer a serra e beijará com afeto o vidro do aquário do peixinho de estimação. está subindo, ainda. ascensão laboriosa. mas está livre da escalada, agora a montanha fora desvendada. ele a escalou. e o peixinho jamais saberá de nada. nem deus. passou tanto tempo olhando para cima, e agora pode olhar para baixo, para a cidade, deste lugar alto. é o maior dos seres do mundo. maior do que deus, que não sabe nem de perto o que é estar com a pele grudada no corredor da morte. grande panorama Dela, cá do alto. minhoca grudada na casca dura da Terra. Terra: tudo o que existe. e o dasein: trepadeira (parasita ou simbiótica?) do alto de montanhas, colado à gravidade, mais perto da lua, o Ser. e do sol, que já queima a pele [cuidado com a exposição abusiva! há também o câncer!] tudo é poeira, mas 2010 é ano de politiké tecnhé. então,



domingo, 9 de agosto de 2009




ilha grande me remete a ramos, em memórias do cárcere. um paradoxo. estão lá os escombros marcados na areia, lembrando-nos o terror da nossa história...

"Desgosta-me usar a primeira pessoa. Se se tratasse de ficção, bem: fala um sujeito mais ou menos imaginário; fora daí é desagradável adotar um pronomezinho irritante, embora se façam malabarismos para evitá-lo. Desculpo-me alegando que ele me facilita a narração. Além disso, não desejo ultrapassar o meu tamanho ordinário. Esgueirar-me-ei para os cantos obscuros, fugirei as discussões, esconder-me-ei prudente por detrás dos que merecem patentear-se" (graciliano ramos).

mas há de ser possível.



sexta-feira, 31 de julho de 2009

o dia se divide em dois
e os corpos
colados em espiral
deixam o tempo diluir o ralo da memória.

qual memória?
_ qual razão imprime a fórmula do desejo?
uma melodia, por favor - traga-a dos escombros.
uma melodia para despir o silênciocioso.

enquanto o amor dorme vestido de moleton,
enquanto as mãos do amor pulsam nos pés,
desvio, desvio.

deixe o mundo na fila, lá fora, gritar o tédio.
deixe o tédio na fila gritar o mundo
deixe lá fora o mundo o tédio
gritar gritar
enquanto o amor dorme esparramado no afeto.

cadê a chave que tranque o amor do mundo?
jogue-a pela janela.
basta aqui, neste habitar, o olhar

sombra
o olhar folha
o olhar árvore.

basta, para que o infinito caiba nesta cama
e seja a distância nula dos corpos
colados em espiral.

basta, para que não haja mais filosofia
só rendas.



domingo, 19 de julho de 2009


barulho de homens bêbados no térreo invadem a janela e rompem o sono no oitocentos e dois. a madrugada se acende antes das cinco. turbulência. o afeto está nas nuvens mas o avião ameaça cair. o longo corredor não tem saídas. área de instabilidade: aperte o que sentes! adentra pela porta o mundo, invade o isolamento do afeto: acusa. por favor, deixe o amor a sós, trancado no encantamento, esquecido do tumultuado asfalto. o afeto abarca a tortuosa certeza – nenhuma resposta brota da boca, só sussurros e salivas em beijos lascivos, manchados de mar. o vento nasce do olhar. da transparência brota um castelo. prostra-se a cidade abaixo dos corpos. cem anos passarão enquanto esta cama quente range. o universo gira para dois. o sol queima todos os planetas. as células incrédulas derretem-se: alarga o devaneio. um dia não cabe dentro do peito. faz-se necessário mais: o infinito. ACREDITE: oh, céus, em que? a verdade se prostra de quatro. se rende. se despe. só resta a relatividade. não há maturidade, mas a fruta pode de verde cair podre se não devorada a tempo. deixe que esta visão de domingo abarque todos os rótulos dos dias de feira. deste momento lindo, da janela em que os primeiros raios assolam as estrelas. elas se sabem eternas mesmo na ilusão da claridade dos dias? há lógica no tempo? insite do primeiro momento: pausa do movimento. ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar. há uma terceira e quarta perna que pesa em cima do corpo. quando disser já, balé sem ensaio. o oceano está contido na pupila dilatada do outro. invasões bárbaras declinam o império americano mas antes do amanhecer ainda há um segundo de conforto: velar o sono do amor. ouvir as gotas do transbordamento. então come chocolate, pequeno, porque não há metafísica maior no mundo. vinho às seis, em nome do (en)canto. socorra-me hilst, contra tanta bestialidade! mantenha-me insana para sempre, amém. a dádiva loucura. cuspir em toda insinuação. quebrem o protocolo, por favor, antes do fim do espetáculo. descosturem as cortinas. suspendam o álcool, antes que se firam, esses pobres tolos. e matem ainda mais. antes que eles mesmos se matem. mas tragam dos escombros um pouco de música, por favor. porque assim seca a realidade é por demais cruel! bjork, por favor. obrigada. agora sim: o avião pode cair. estou com os pés fixos no chão, mas as rachaduras brotam das bordas do planeta. a esfera terrestre se abre. talvez haja tempo de um flamboyant furar o solo. sim, só por mais uma vez, esta ilusão de ótica. vermelho, o flamboyant. pra aliviar este deserto de cores. não trema, amor! revisão da língua livrou-nos de tantos acentos. então não trema! ainda estou aqui. confie: o sol pode ainda nascer neste nosso oitavo amanhecer.


domingo, 12 de julho de 2009


há uma dor na felicidade, um estrangulamento, uma percepção da transcendência que oprime o corpo miúdo. é mais fácil permanecer na solidão do que no amor. na solidão o refúgio em alcoóis torna mais brando os dias, menos reais, mais fáceis de serem empurrados na ostração. no amor não. o amor traz a realidade da lua. e ela está ainda imensa no amanhecer da noite, cúmplice dos lençóis, ao lado das nuvens. e oprime um coração pequeno. o amor, encarnado no corpo, exige o ato de amar. amar dói. dor muscular, de coração, dor circular, de coração, dor rubra, de coração. é verdade manifestada no reflexo do olhar alheio. e a verdade redefine a pele. quer acordar consubstanciada no oceano encarnado nas águas do outro. um outro metade. um outro duplo de si. o amor quer viver debaixo d'água, sem respirar os dias, viver de forma líquida, mergulhada em pele horizontal. exige criação. faz os olhos acesos brilharem, as mãos fechadas se abrirem, as pernas cruzadas cederem, a boca faminta embebecer-se, os poros florescerem. o amor toma a forma do ar e se incorpora no vácuo, traz a dimensão da integralidade do espaço, não resta ocaso. é batida de bossa nova, orquestra de sensações. o corpo faz-se corda de violão p'ros dedos comporem sons. o amor parece menor quando não existe. e ser parece infinito depois do amor firmar-se. agora a eternidade existe. a alma existe. até deus pode voltar a existir: ele está perdoado! o amor é a negação do que não existe. a imanência. a extensão em fá, é o ser mais um. sinal de multiplicar. prato na mesa em dobro. e o medo da morte, infindável, parece até sumir. toma a forma dos olhos. abre-se o mundo. há redefinição do tempo. negação do tempo. não há mais tempo. só sucessão de estalos no peito, em tons aleatórios, susto contínuo para quem tem o músculo central exposto. uma noite inteira de olhar basta para renascer. depois, um domingo de febre. o olhar sem voz, o olhar silêncio, estendendo-se pela longa madrugada até transmutar-se em sol. depois, um domingo de febre. como deixar os olhos pra trás? um domingo em febre. o mundo espera quinze dias para reencontrar-se. e os olhos surgem novamente, agora muito próximos da retórica da sedução, da extensão do corpo nu. mas o olhar continua lá, como ponte de conforto, reflexo do primeiro toque, como potes de mel. pronto. não há mais ninguém na noite. não há mais noite. não há mais qualquer mais. apenas um outro que elimina a possibilidade de isolamento. um outro que suga a individualidade. a vestimenta. o universo confirma-se redondo na dialética do ato amar. sim, de novo a dialética aparece, meu caro geo! a dialética presente na geografia do amor. amar deixa o que é meu tornar-se theu. o outro é a negação das paredes. elas eram altas, torres de ilha grande. lábios nos olhos rasgaram os segredos. agora já não há mais parede nem solidão. o amor tomou a forma da vida. chegou vestido de chapéu e sobretudo. a porta escancara-se. o amor conforta as crises das madrugadas e vigia os movimentos noturnos. é ser literário. e quando canta abafa qualquer entendimento. não resta mais razão. somente olhos cantantes. tem a forma de árvore. será plantada, regada, cuidada. há grande chance de que o amor seja este pedacinho de terra simples, surgida para abrigar esteiras pra sentar e contemplar estrelas. há desejo de compartilhar um céu. este desejo é novo. é potente. desejo de comunidade e solitude.




segunda-feira, 6 de julho de 2009


ser-tão debaixo d'água:
solitude a dois...

[ainda bem que Aristóteles inventou a alma!]




quinta-feira, 2 de julho de 2009

tupi or not tupi that is the question oswald de andrade

quarta-feira, 1 de julho de 2009



1.7.09. uma lógica para o caos, por favor... um sete zero nove comprimidos para conter o sonho. sim, pode ser. dois? um sete zero nove. vermelhos. antiácido e antifebril porque a loucura tomou o corpo dessa pequena moça. vive agora sonhando com árvores, sombras e ipês, é só nisso que essa pobre tola pensa. hum. 1.7.09. e se tiver também algum que faça o coração mais manso, menos rebelde, bota logo três. um sete zero nove. porque parece que o peito de tal danada anda pulando e torcido. é bom ficar prevenido. tá formado um tufão de sentimento. ela bebe água pra espantar o calor, mas no sol dessa terra deus abana o que o diabo ferve. 1.7.09. ela tá com os miolos quentes. dê-lhe logo um sete zero nove banhos de água corrente e tira esse pano do pescoço dela, que só anda embrulhada - neste calor! - essa tal menina. parece que agora crê no que não existe! dá um chá de realidade nela! 1.7.09! pra vê se acorda e vai trabalhar. dê logo, antes que este fogo tudo queime. voltou assim, pobre coitada, desse são joão. e só pensa agora em voltar pro sertão. e fazer cinema.