1.7.09. uma lógica para o caos, por favor... um sete zero nove comprimidos para conter o sonho. sim, pode ser. dois? um sete zero nove. vermelhos. antiácido e antifebril porque a loucura tomou o corpo dessa pequena moça. vive agora sonhando com árvores, sombras e ipês, é só nisso que essa pobre tola pensa. hum. 1.7.09. e se tiver também algum que faça o coração mais manso, menos rebelde, bota logo três. um sete zero nove. porque parece que o peito de tal danada anda pulando e torcido. é bom ficar prevenido. tá formado um tufão de sentimento. ela bebe água pra espantar o calor, mas no sol dessa terra deus abana o que o diabo ferve. 1.7.09. ela tá com os miolos quentes. dê-lhe logo um sete zero nove banhos de água corrente e tira esse pano do pescoço dela, que só anda embrulhada - neste calor! - essa tal menina. parece que agora crê no que não existe! dá um chá de realidade nela! 1.7.09! pra vê se acorda e vai trabalhar. dê logo, antes que este fogo tudo queime. voltou assim, pobre coitada, desse são joão. e só pensa agora em voltar pro sertão. e fazer cinema.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
o eterno retorno presente nesta cidade, mais do que em qualquer outro ponto do planeta. por ser uma cratera aberta? por ser um vulcão em repouso milenar? por ter este céu de estrela que cospe ondas do caos? está aí, esta mesma noite lenta, fria, melancólica, poética de quintal. estava lá, nos corpos, na coletividade, no trânsito morno dos membros, na pulsação dos olhares, no infinito de possibilidades, na película que aqui e ali se produzia, na música que se compunha. em momento de tensão a velha retórica da verdade aparece e assombra, assusta, constrange. a palavra pode ser de morte, então não fale. noves fora zero, o olhar permanece como melhor instrumento, o instrumento da sutileza, da delicadeza, do afeto. no silêncio o retorno se completa, no silêncio talvez haja alguma salvação. na palavra não. só na poesia. na palavra não. cinema mudo, sim, cinema mudo - papalo e carlitos bem o sabem e anunciam. além do bem e do mal, o caos fecha os olhos e sorri, "quão bobas são essas crianças"... enquanto num quartinho negro dois palhaços compartilham confidências. não reconheço quem poderia categoricamente afirmar qualquer coisa. atitude mais autêntica? o niilismo serve? severidades... é possível salvar-se? o barco estende-se no mar deste sertão e à bordo as vozes se tocam. se roçam. sexo? ainda não. é cedo para nós. é tarde para os outros. e enquanto as pernas dão passos em qualquer direção, um céu, repito, o céu, ou melhor, este mesmo céu, que já no primeiro encontro do universo com o ser se fez e vingou acima e abaixo deste pequeno grupo que formado na eternidade, nesta noite se estendeu, esta mesma noite projeta o que poderá, a partir dali, se firmar. e enquanto eu não te alcanço, enquanto eu não te alcanço, dentro do peito arde em febre a dialética do amor.
amanhece o dia na cidade cheia de céu e em cada plano do olhar uma gota de desejo [dia de fogos, de festa, de seu joão] tanta trama por um gesto... e o dia do fim vir pode antes do re-começo. então chega em silêncio, para que não se sinta, para que não se perceba este contemplar perdido no salão, esta noite imensa, este passo torto, este xote lento, peito sem ar, garoa fina e fria de solidão. não há pressa, mas sopra o vento e nenhuma vida nova trará esta mesma forma de ser, então chega devagar [mas chega], que é p'ro peito não transbordar porque esta sua maneira de estar e esta minha forma de querer podem se perder, não são de se repetir. olha com olhos de deserto e silêncio tumultuado do pacífico, tira do náufrago corpo esta roupa molhada, envelhecida de si [se liberte de todo sal] pousa aqui, neste sertão e acende uma fogueira sobre esta terra de urucu. permita. porque o fim pode raiar e tomar jeito de cinzas. então deixa [vir] este estado de amanhecer.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
estrangeiro
pareceu-lhe uma boca e eu sou cega, uma coisa, uma telenovela, uma arara, ao mesmo tempo guanabara. passará o que começo, tentando o pão de açucar. arestas. luz. branco. aurora. um velho nas costas e uma menina linda. não olho pr'atrás mas vejo o que desejo. o teto. Os dentes. impressionista, essa coisa. surrealista. duplo som. é chegada a hora do pai, amém. eletrochoque (eletrochoque, eletrochoque). o macho. e o resto, resto, o sexo e eu. contra o vento. o centro. essa coisa, é dente. as vozes. hora da reeducação. o certo é saber o macho adulto branco e o resto é riscar os índios e os pretos. menos estrangeiro. contra o vento, o que estão dizendo. mas eu desperto, o amor é cego. o albino não enxerga muito bem. passa passará. Pesadelo. pense. é o desmascaro, o azul e o púrpura. amarelo.
quinta-feira, 26 de março de 2009
EL SOPLO
I. Explicacion para la poesia
La soledad circular de la multitud,
el yo florido de asfalto,
la durmiente en las islas desiertas
de los bares repletos,
la que queria fugarse en día de partido
y no volver por toda la eternidad;
la descontenta,
la escurridiza,
la introspectiva,
la andariega que toma
el camino de la lombriz de tierra
y se cierra siempre en túneles oscuros
para hacer del alma
uno río que se ha desbordado
y há inundado los campos vencidos;
la que no quiso tomar asiento
y casi naufragó en el mar
y casi fue atropellada por un tren
y casi murió de sufrir afecto;
la que no cabe en la soledad
y ni cabe en la palabra;
que no és un ser estático
y se encuentra en un estado de mutación;
la que padece por que no entiende,
retorna siempre en las mismas cuestiones complejas!
(com leves soplos para paliar)
II. La poesia misma: El soplo
como cuando ve en una ciudad pequeña una casita bonita
como cuando, paraguas
como cuando llora,
como cuando, colores
como cuando canta,
como cuando, leve, un soplito en el pie del olvido, hummm
como cuando , leve, un soplido en el pie del olvido
para paliar
quarta-feira, 25 de março de 2009
"Pacto entre derrotados"
"siempre me han preocupado estos jóvenes
cuyos ojos están destinados a la belleza,
pero también al infortunio porque,
qué más desventurado que
un sediento buscador de absolutos?"
um impulso. como se só houvesse ontem no mundo. pronunciei o seu nome sem saber se escutava. pronunciei e recebi o silêncio que me habitará por toda a eternidade.
tenho um sentimento de emergência, como se não houvesse amanhã. isso dilui qualquer sonolência e adaptação. Com Sábato, em Antes del fin, minhas angústias, ao contrário de se diluírem, tomam a forma de letra. pacto entre derrotados - este é o epílogo do seu livro, escrito quando "o tempo de sua vida se quebrou" com a morte do seu filho, depois de uma bela trajetória humanitária e literária.
não sei porque o busquei. entendi somente hoje, quando o avião arremeteu de dentro de uma tempestade, em BH. de novo no céu, voando por nuvens à caminho do Rio, onde fui pousar num plano seco, mais uma vez a abrupta certeza de que o fim é tão certo quanto estúpido. me punha a perguntar o que resta a fazer.
"después,
el tiempo fue acelerándose,
y yo sentí que debía resignarme
y abandonar tantos proyectos"
em quantas mansardas, Pessoa, nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando, como eu? tantos projetos ainda vivos, uivando nos poros feito lobos... outros tantos perecidos para nunca mais... e um pouco de vida que se vai com cada um desses desejos profundos que abandonamos pelo caminho.
"una suave llubia de otoño
cae sobre el jardín,
y también sobre pájaros y árboles que,
quién podrá saberlo,
quizá meditan igual que nosotros."
segunda-feira, 23 de março de 2009
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