segunda-feira, 20 de abril de 2009

estrangeiro

pareceu-lhe uma boca e eu sou cega, uma coisa, uma telenovela, uma arara, ao mesmo tempo guanabara. passará o que começo, tentando o pão de açucar. arestas. luz. branco. aurora. um velho nas costas e uma menina linda. não olho pr'atrás mas vejo o que desejo. o teto. Os dentes. impressionista, essa coisa. surrealista. duplo som. é chegada a hora do pai, amém. eletrochoque (eletrochoque, eletrochoque). o macho. e o resto, resto, o sexo e eu. contra o vento. o centro. essa coisa, é dente. as vozes. hora da reeducação. o certo é saber o macho adulto branco e o resto é riscar os índios e os pretos. menos estrangeiro. contra o vento, o que estão dizendo. mas eu desperto, o amor é cego. o albino não enxerga muito bem. passa passará. Pesadelo. pense. é o desmascaro, o azul e o púrpura. amarelo.



quinta-feira, 26 de março de 2009

EL SOPLO
 
I. Explicacion para la poesia

La soledad circular de la multitud,
el yo florido de asfalto,
la durmiente en las islas desiertas
de los bares repletos,
la que queria fugarse en día de partido
y no volver por toda la eternidad;

la descontenta,
la escurridiza,
la introspectiva,
la andariega que toma
el camino de la lombriz de tierra
y se cierra siempre en túneles oscuros

para hacer del alma
uno río que se ha desbordado
y há inundado los campos vencidos;

la que no quiso tomar asiento
y casi naufragó en el mar
y casi fue atropellada por un tren
y casi murió de sufrir afecto;

la que no cabe en la soledad
y ni cabe en la palabra;

que no és un ser estático
y se encuentra en un estado de mutación;

la que padece por que no entiende,
retorna siempre en las mismas cuestiones complejas!

(com leves soplos para paliar)



II. La poesia misma: El soplo

como cuando ve en una ciudad pequeña una casita bonita
como cuando, paraguas
como cuando llora,
como cuando, colores
como cuando canta,
como cuando, leve, un soplito en el pie del olvido, hummm
como cuando , leve, un soplido en el pie del olvido
para paliar


quarta-feira, 25 de março de 2009



"Pacto entre derrotados"


"siempre me han preocupado estos jóvenes
cuyos ojos están destinados a la belleza,
pero también al infortunio porque,
qué más desventurado que
un sediento buscador de absolutos?"


um impulso. como se só houvesse ontem no mundo. pronunciei o seu nome sem saber se escutava. pronunciei e recebi o silêncio que me habitará por toda a eternidade.
tenho um sentimento de emergência, como se não houvesse amanhã. isso dilui qualquer sonolência e adaptação. Com Sábato, em Antes del fin, minhas angústias, ao contrário de se diluírem, tomam a forma de letra. pacto entre derrotados - este é o epílogo do seu livro, escrito quando "o tempo de sua vida se quebrou" com a morte do seu filho, depois de uma bela trajetória humanitária e literária.
não sei porque o busquei. entendi somente hoje, quando o avião arremeteu de dentro de uma tempestade, em BH. de novo no céu, voando por nuvens à caminho do Rio, onde fui pousar num plano seco, mais uma vez a abrupta certeza de que o fim é tão certo quanto estúpido. me punha a perguntar o que resta a fazer.

"después,
el tiempo fue acelerándose,
y yo sentí que debía resignarme
y abandonar tantos proyectos"

em quantas mansardas, Pessoa, nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando, como eu? tantos projetos ainda vivos, uivando nos poros feito lobos... outros tantos perecidos para nunca mais... e um pouco de vida que se vai com cada um desses desejos profundos que abandonamos pelo caminho.


"una suave llubia de otoño
cae sobre el jardín,
y también sobre pájaros y árboles que,
quién podrá saberlo,
quizá meditan igual que nosotros."




segunda-feira, 23 de março de 2009




no sé por qué 
no cierras el paraguas 
si ya no llueve


 
el vacío es tamaño
que no hay con quien relacionarse
alla afuera

y no hay afuera

solamente uno aquí
infinito de soledad




sexta-feira, 6 de março de 2009



- Quero falar com você.
- Não posso te atender agora. Estou muito chata.
- Compreendo. Mas prometa falar comigo assim que puder.
- Talvez eu não possa enquanto a chuva cair.
- Tengo un lindo paraguas que te puedo prestar.
- É transparente? Gosto de ver o mundo molhar-se.




domingo, 15 de fevereiro de 2009



Aquela que não quis tomar assento
e quase naufragou no mar
e quase foi atropelada
e quase morreu de dor de amor,
passeia na solidão redonda da multidão
e no eu florido de asfalto.

A sem-lugar nas ilhas desertas dos bares abarrotados,
aquela que queria fugir em dia de jogo
e não voltar nunca mais,

a descontente, a escorregadia, a introspectiva,
a ensimesmada,
aquela que foge sempre em busca de buracos,
que se tranca no quarto
no escuro,
cortinas cerradas e música
pra inundar o espaço da alma.

Aquela que não cabe na solidão
e nem cabe na palavra,
que não é um ser,
mas um estado de desfazer-se contínuo,
com leves sopros pra aliviar,
como quando o olhar mudo de um andarilho lhe desmascara um conceito.

Aquela que sofre porque não entende
e retorna sempre às mesmas questões complexas

com leves sopros pra aliviar.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


ficar junto é melhor
do que ficar só
depois de ficar só

ou

ficar junto
depois de ficar só
é melhor

e depois de ficar junto?
ficar só

ficar só entre nós
depois de ficar junto entre outros



terça-feira, 13 de janeiro de 2009


como querer moldar a chuva?



quinta-feira, 1 de janeiro de 2009


3. Matchu Pichu






cantando la cigarra, com os pés na montanha sagrada de matchu pichu e o olhar para o horizonte a perder-me e inundar-me, pisei o novo ano, renovada.

La cigarra
Tantas veces me mataron,
tantas veces me morí,
Sin embargo estoy aquí resucitando.
Pero si estoy a la desgracia
y la mano con puñal
por qué mató tan mal,
y seguí cantando.

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces me borraron,
tantas desparecí,
ami propio entierro fuisola y llorando;
hice un nudo en el pañuelo
pero me olvidé después
que no era la única vez
y seguí cantando.

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces te mataron,
tantas resucitarás,
cuántas noches pasarás desesperando.
Y a la hora del naufragio
y la de la oscuridad
alguien te rescatará para ir cantando.

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra,
igual que sobreviviente que vuelve de la guerra.
(música de Maria Elena Walsh interpretada por Mercedes Sosa!)




domingo, 28 de dezembro de 2008

2. Copacabana, Lago Titicaca, Ilha do Sol...

Balneário às margens do Lago Titicaca, lago navegável mais alto do mundo, 3.812 m acima do nível do mar, com 8,3 Km de água. Fronteira dos estados da Bolívia e do Perú, porta del sol - entrada ao império inca.

Isla del Sol. Segundo os incas, o lugar escolhido por Inti, o Deus Sol, para deitar os primeiros raios que iluminaram o mundo.

















Viagem rumo a Machu Pichu

1. La Paz.

Capital mais alta do mundo, 3.600 m acima do nível do mar. A cidade é densa, diferente de qualquer outra que eu tenha conhecido. Impossível desvendá-la assim, num caminhar. Uma luta se trava através do olhar, desputado pelo povo andino, pela arquitetura espanhola, pela vida pulsante, frenética, caótica do lugar.

As chollas me fascinam, mulheres pequeninas, gordinhas e coloridas, com seus xales bordados e chapéus a enfeita mais do que a proteger.

O cemitério de La Paz. Indescritível labirinto formado por gaveteiros de túmulos que formam longas e altas paredes que deixam a vista, de forma simétrica, inscriçoes de mortos e objetos postos e cultivados pelos vivos.

Sinto muito frio aqui. Acordei numa madrugada com membros cogelando, caibras, sangrei pelo nariz, senti tontura, tive que medicar-me e masco folha de coca desde lá, melhor agora.

Comprei um pano e já me abrigo nele, querendo incorporar no meu corpo a estética dos andes.

Em La Paz fui rejeitada. Minha pele branca? A evidência de ser uma turista? Penso que talvez odeiam o que a minha figura representa. Quase fiz xixi na roupa por me faltar 50 centavos de bolivianos e a cholla se negou veementemente a solidarizar-se comigo. Ofereci 1 dólar, o que, creio, foi pior - talvez lhe pareceu mais arrogante. E meu portunhol nao ajuda muito...

Evo está presente nas ruas.