segunda-feira, 23 de março de 2009

el vacío es tamaño
que no hay con quien relacionarse
alla afuera

y no hay afuera

solamente uno aquí
infinito de soledad




sexta-feira, 6 de março de 2009



- Quero falar com você.
- Não posso te atender agora. Estou muito chata.
- Compreendo. Mas prometa falar comigo assim que puder.
- Talvez eu não possa enquanto a chuva cair.
- Tengo un lindo paraguas que te puedo prestar.
- É transparente? Gosto de ver o mundo molhar-se.




domingo, 15 de fevereiro de 2009



Aquela que não quis tomar assento
e quase naufragou no mar
e quase foi atropelada
e quase morreu de dor de amor,
passeia na solidão redonda da multidão
e no eu florido de asfalto.

A sem-lugar nas ilhas desertas dos bares abarrotados,
aquela que queria fugir em dia de jogo
e não voltar nunca mais,

a descontente, a escorregadia, a introspectiva,
a ensimesmada,
aquela que foge sempre em busca de buracos,
que se tranca no quarto
no escuro,
cortinas cerradas e música
pra inundar o espaço da alma.

Aquela que não cabe na solidão
e nem cabe na palavra,
que não é um ser,
mas um estado de desfazer-se contínuo,
com leves sopros pra aliviar,
como quando o olhar mudo de um andarilho lhe desmascara um conceito.

Aquela que sofre porque não entende
e retorna sempre às mesmas questões complexas

com leves sopros pra aliviar.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


ficar junto é melhor
do que ficar só
depois de ficar só

ou

ficar junto
depois de ficar só
é melhor

e depois de ficar junto?
ficar só

ficar só entre nós
depois de ficar junto entre outros



terça-feira, 13 de janeiro de 2009


como querer moldar a chuva?



quinta-feira, 1 de janeiro de 2009


3. Matchu Pichu






cantando la cigarra, com os pés na montanha sagrada de matchu pichu e o olhar para o horizonte a perder-me e inundar-me, pisei o novo ano, renovada.

La cigarra
Tantas veces me mataron,
tantas veces me morí,
Sin embargo estoy aquí resucitando.
Pero si estoy a la desgracia
y la mano con puñal
por qué mató tan mal,
y seguí cantando.

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces me borraron,
tantas desparecí,
ami propio entierro fuisola y llorando;
hice un nudo en el pañuelo
pero me olvidé después
que no era la única vez
y seguí cantando.

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces te mataron,
tantas resucitarás,
cuántas noches pasarás desesperando.
Y a la hora del naufragio
y la de la oscuridad
alguien te rescatará para ir cantando.

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra,
igual que sobreviviente que vuelve de la guerra.
(música de Maria Elena Walsh interpretada por Mercedes Sosa!)




domingo, 28 de dezembro de 2008

2. Copacabana, Lago Titicaca, Ilha do Sol...

Balneário às margens do Lago Titicaca, lago navegável mais alto do mundo, 3.812 m acima do nível do mar, com 8,3 Km de água. Fronteira dos estados da Bolívia e do Perú, porta del sol - entrada ao império inca.

Isla del Sol. Segundo os incas, o lugar escolhido por Inti, o Deus Sol, para deitar os primeiros raios que iluminaram o mundo.

















Viagem rumo a Machu Pichu

1. La Paz.

Capital mais alta do mundo, 3.600 m acima do nível do mar. A cidade é densa, diferente de qualquer outra que eu tenha conhecido. Impossível desvendá-la assim, num caminhar. Uma luta se trava através do olhar, desputado pelo povo andino, pela arquitetura espanhola, pela vida pulsante, frenética, caótica do lugar.

As chollas me fascinam, mulheres pequeninas, gordinhas e coloridas, com seus xales bordados e chapéus a enfeita mais do que a proteger.

O cemitério de La Paz. Indescritível labirinto formado por gaveteiros de túmulos que formam longas e altas paredes que deixam a vista, de forma simétrica, inscriçoes de mortos e objetos postos e cultivados pelos vivos.

Sinto muito frio aqui. Acordei numa madrugada com membros cogelando, caibras, sangrei pelo nariz, senti tontura, tive que medicar-me e masco folha de coca desde lá, melhor agora.

Comprei um pano e já me abrigo nele, querendo incorporar no meu corpo a estética dos andes.

Em La Paz fui rejeitada. Minha pele branca? A evidência de ser uma turista? Penso que talvez odeiam o que a minha figura representa. Quase fiz xixi na roupa por me faltar 50 centavos de bolivianos e a cholla se negou veementemente a solidarizar-se comigo. Ofereci 1 dólar, o que, creio, foi pior - talvez lhe pareceu mais arrogante. E meu portunhol nao ajuda muito...

Evo está presente nas ruas.























sábado, 29 de novembro de 2008

diário de viagem. eterno retorno.


Dia 1. Conquista.
chuvosa,
nublada
como sempre a deixo,
como sempre a encontro...
Na madrugada, ensinam-me xadrez. papalo, sempre doce!




quarta-feira, 26 de novembro de 2008

os pássaros elegem.

vôam em bando.
menos ainda.


vôam em par.
só eu vôo ímpar.



domingo, 9 de novembro de 2008

 

De tanto que observo me toma uma visão
em que o ipê da Liberdade,
despido, magricelo, carrancudo,
tendo como fundo Niemeyer
curvo, preamar, arco-íris
esconde olhos
de janelas recém acesas do entardecer
– íris de voyeur reticente
Me toma cobiça aquela vida de olhar de cima
tão classe-média, contemplativa, literária
ao contrário de mim,
transeunte da praça, de olhar
baixo, sonhador, proletário.

A idade, olhando daqui, com o Palácio à direita
e a Bahia à esquerda, dói de bela e me enterra.
Agora moro nesta pequena Bahia, rua mar de asfalto
e não desço floresta
– tranca o choro, Fabiana!

O meu coração parece grande, mas é líquido
e derrama fácil fácil
quando vai em favela, beco, morro, comunidade
e quando, ainda,
qualquer um diz que me ama
– eu me apaixono como água.

Vejo agora, deste ponto, da mesma praça,
debaixo da árvore sem nome,
o moço-negro-da-flauta tocar bossa nova
enquanto um casal se beija e me mata de inveja
– vou até o Rio nos tempos da centelha vermelha,
– vou até o Prado nos braços do ser amado,

a bossa nova é sempre nova é sempre nova tanto quanto o rio continua lindo continua lindo

Quase sempre e quase sempre é todo dia
desejo imprimir e distribuir poesia.
Quando quero quietar o coração,
só aí (quase sempre)
venho à praça.

Acredito que posso reter este céu
lilás estrelado de palmeiras
e dizê-lo a qualquer um
com qualquer palavra
– retenho o que vejo para que vejas através de mim.
Olho infinitas vezes para Niemeyer
e ele é sempre belo.
isso mesmo: a utopia existe e se renova

Então não é por muito que me deixo,
mas pelo ínfimo _ quase me atropelam.
Dú sempre diz pr'eu olhar p'ro lado
– “vais morrer atropelada!”
Estou com má digestão do mundo
Mas como fazer, Maiakovski,
na falta da primavera?
Fabinho diz que vou surtar,
pra ele ando pisando em nuvens.
– como deve ser o caminhar?

Enquanto não sei,
soletro:
ô vida besta, meu deus.



sábado, 8 de novembro de 2008



"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Lispector

saudade na pele, agora, como espinho. fura e sangra. abarca tudo, compreensão e lógica, passado e futuro. abarca tudo.